quinta-feira, 28 de março de 2013

Recesso até Domingo.

Em razão da viajem que faremos ao Mosteiro da Santa Cruz ( Nova Friburgo - RJ) o blog estará de recesso  até o Domingo de Páscoa.
Por isso postamos com antecedência algumas meditações sobre os divinos mistérios que vamos celebrar nos próximos dias.

Feliz Páscoa!

VIGÍLIA PASCAL


VIGÍLIA PASCAL

A Vigília Pascal é o cume do ano litúrgico. Sua celebração se realiza de noite; mas de maneira a não começar antes do início da noite e a terminar antes da aurora do Domingo.

Frutos da Ressurreição de Jesus Cristo

“Vós, que haveis sido instruídos na escola de Jesus, deveis ter aprendido a despojar-vos do homem velho e revestir-vos do homem novo, criado segundo Deus em justiça e santidade” (Ef 4, 21-24). O velho homem, de que fala o apóstolo, é esse composto de orgulho, amor próprio, egoísmo, sensualidade, más inclinações, instintos depravados, o qual vive em nós desde a queda original e que tende a submeter-nos a Satanás e ao pecado. Jesus Cristo morreu para dele nos libertar, e insiste conosco a que trabalhemos com Ele para a destruição deste mal.

O homem novo, de que fala ainda o apóstolo, é a nossa alma espiritual, regenerada em Jesus Cristo pela graça, ornada de virtudes e dons sobrenaturais, no afã de seguir as pegadas do divino Mestre pela vida de justiça e de santidade. Esse homem novo, que está dentro de nós, encontra em Jesus ressuscitado o seu apoio e o seu modelo; o seu apoio, contanto que procuremos em Jesus, pela oração, os princípios da vida sobrenatural que alimentam a nossa alma; o seu modelo, porque a ressurreição corporal do Redentor é o ideal, a causa exemplar da nossa ressurreição espiritual:“Portanto pelo batismo nós fomos sepultados com ele na morte para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também nós vivamos vida nova. Porque se nos tornarmos uma coisa só com ele por uma morte semelhante à sua, seremos uma coisa só com ele também por uma ressurreição semelhante à sua” (Rm 6, 4-5).
Se, pois, morrermos a nós mesmos e ressuscitarmos assim com Jesus todos os dias do nosso exílio, teremos parte em seu triunfo e em sua beatitude. Como o patriarca José saiu outrora da prisão para reinar sobre o Egito, fazendo seus irmãos participantes da sua sorte, assim o Salvador ressuscitou glorioso do sepulcro para entrar pouco depois na sua glória e lá esperar os que, conformando-se com sua vida, merecerem ser chamados seus irmãos.
Desejamos esse belo título e os esplendores que o coroarão um dia? Neste caso, tomemos a resolução generosa: 1.° De sacudir o jugo das nossas paixões e de combater em nós a vaidade, o amor das comodidades e dos prazeres; 2.° De praticar de preferência as virtudes difíceis, as que exigem o sacrifício dos nossos defeitos ordinários, sobretudo da nossa paixão dominante.

É Páscoa, a Páscoa do Senhor... Não figura, não história, não sombra, mas a verdadeira Páscoa do Senhor... Verdadeiramente, ó Jesus, livrastes-nos da grande ruína e nos estendestes as paternas mãos. Sob vossas paternas asas nos ocultastes. Vosso sangue divino derramastes na terra, para cumprir vossa aliança cruenta e cheia de amor pelos homens. Afastastes de nós as ameaças da ira do Altíssimo e nos restituístes a primitiva paz com Deus... Ó vós, que sois verdadeiramente só entre os sós e todo em todos! Acolham os céus o vosso espírito... mas o vosso sangue, possua-o a terra...
Ó Páscoa divina, que desces do céu à terra e da terra sobes, de novo, ao céu!... De todos és alegria, honra, alimento, delícia. Por ti foram dissipadas as trevas da morte, a todos estendeu-se a vida, abriram-se as portas do céu. Mostrou-se Deus como homem e o homem foi feito Deus...
Ó Páscoa divina, o Deus do céu, na sua generosidade, agora se une a nós no Espírito: por meio dele encheu-se a grande sala das bodas, e trazem todos a veste nupcial... Já não se apagarão as lâmpadas da alma. De modo divino e espiritual, em todos brilha, no corpo e na alma, a luz da graça, alimentada pelo óleo: Cristo.
Suplicamos-vos, ó Senhor Deus, Cristo, Rei eterno dos espíritos, estendei  as  divinas mãos  sobre  vossa  Igreja,  povo  santo,  sempre vosso! Defendei-o, guardai-o, conservai-o, e a todos os inimigos combatei, derrotai, submetei... Concedei-nos cantar com Moisés o cântico da vitória, porque vossa é a glória e o poder nos séculos!” (Santo Hipólito de Roma, Das orações dos primeiros cristãos, 44).

SEXTA-FEIRA SANTA




SEXTA-FEIRA SANTA

Nosso Senhor Jesus Cristo na Cruz

1.° Ignomínia do patíbulo em que Jesus expira

A cruz era o suplício dos escravos, isto é, daqueles a quem a antiguidade negava a dignidade e os direitos do homem, e que eram nivelados de certo modo aos irracionais. Nunca se ouviu dizer que um homem livre passasse por essa desonra, considerada como um opróbrio pelo mundo inteiro. Entre os judeus, a própria Escritura parecia ter esse mesmo sentimento, lançando a maldição sobre o infeliz levantado na cruz. Maldito o que pende no madeiro (Dt 21, 23). Na Judéia afastavam-se todos com horror do homem suspenso no madeiro da cruz; pois nele só se pregavam os maiores criminosos, os seres mais vis e degradados. Jesus, santidade incriada e grandeza infinita, por que quereis que assim vos tratem tão indignamente? Ides ainda além dessa humilhação predita pelos profetas e pareceis gloriar-vos disso, oferecendo-vos aos inimigos e deixando-vos pregar e levantar nesse patíbulo infamante, onde vos tornais espetáculo de ignomínia para o céu e a terra! A vossa humilhação dá o golpe decisivo no nosso orgulho. Como? Um Deus, o Rei imortal, o Criador do universo é saturado de opróbrios e vilanias, e nós nos queixamos quando ignorados, esquecidos e ofendidos? E queremos ainda ocupar o primeiro lugar na estima e afeição das criaturas!

Ah! Deixemos de ser tão pretensiosos e presumidos ao vermos o nosso Redentor descer ao último degrau da abjeção para curar o nosso orgulho. Esse vício, que nasceu ao pé da árvore da ciência do bem e do mal, Jesus o destruiu na árvore da cruz. Ele nos declara, com seu exemplo, que a humildade é a base do seu reino; que ele quer reinar, não sobre os soberbos, partidários de Lúcifer, mas sobre os pequenos e os humildes que obedecem à Igreja e se tornam assim verdadeiros discípulos.
Sois do número desses corações dóceis, sempre prontos a submeter-se aos ensinamentos da fé e a crer nas promessas divinas?

2.°  Jesus  morre  entre dois  ladrões

Tendo o Redentor tomado sobre si os crimes do gênero humano, tornou-se de certo modo o pecador universal, levando o opróbrio de todos os pecados do mundo. Assumiu, pois, todas as conseqüências. Não só foi crucificado como o último dos escravos, mas morreu entre dois criminosos e dois criminosos crucificados, isto é, suspensos no patíbulo, entre a maldição do céu e da terra. Eis o Deus que São Paulo chama inocente, impoluto, segregado do pecado e mais elevado do que os céus (Hb 7, 26), ei-Lo entre dois facínoras detestados, como se lhes fora igual e considerando-os como irmãos, dando assim a entender que não viera para os justos, mas para os pecadores (Lc 5, 32).
Ó humildade de um Deus! Ó caridade do Redentor! Para facilitar-nos a confissão dos nossos pecados, Ele se fez de certo modo pecador conosco e parece declarar-se de fato o último e o mais criminoso de todos. Bem-aventurados os que, como o bom ladrão, confessam humildemente as suas iniqüidades e pedem perdão ao Salvador! Ai, porém, dos orgulhosos, que, semelhantes ao ladrão impenitente, recusam confessar as faltas e se irritam contra Deus a quem ofenderam, porque os aflige para curar e salvar.
Já no Calvário começa o julgamento a que Jesus submeterá todos os filhos de Adão. Colocado entre dois sentenciados, parece fazer a separação dos justos e dos pecadores. Dirige-se ao bom ladrão como aos eleitos no fim dos séculos: “Vem, bendito do meu Pai, possui o reino que te está preparado desde o princípio do mundo, pois que hoje mesmo estarás comigo no paraíso”. Ao outro, colocado à sua esquerda, dá a sentença reservada aos réprobos: “Retira-te, maldito, para o fogo eterno”. A humildade arrependida é, pois, o caráter dos eleitos, e o orgulho obstinado é o dos escravos de Satanás. Se queres pertencer ao Salvador e partilhar a sorte do ladrão penitente, humilha-te como ele. Jesus prefere a humildade dum pecador ao orgulho dum inocente.

3.° Jesus venceu a morte e o pecado

Como Davi pediu espontaneamente para combater a Golias e o provocou indo ao seu encontro, assim Jesus passou sua vida inteira num vivo desejo de forçar a morte para a grande luta que a Sexta-feira Santa comemora. “Devo ser batizado, dizia ele, por um batismo de sangue; e quanto desejo que ele se realize” (Lc 12, 50). Fez ainda mais: provocou de certo modo a morte para o combate, adiantando-se àqueles que o deveriam matar. Davi depôs as armas de que Saul o revestira, e avançou contra o adversário com a sua funda e cajado de pastor; Jesus, para vencer a morte, terrível inimiga do gênero humano, depôs por assim dizer a sua glória e poder, e não quis outra arma senão a cruz.
A morte, porém, não se atreveu aproximar-se dele, para cortar-lhe o fio da vida. Que fez Jesus? Exclamou: “Meu Pai, em vossas mãos encomendo o meu espírito”, depois inclinou a cabeça como para dar à morte o sinal que esta esperava com hesitação. Ela fez então o seu ofício, mas quebrou-lhe o aguilhão. O aguilhão da morte, diz o apóstolo, é o pecado, por cuja causa ele podia levar-nos desta vida miserável para a morte eterna. Ora, o triunfo de Jesus liberta-nos desta morte. Morremos quanto ao corpo, mas as nossas almas estão ao abrigo da morte do pecado e da morte eterna, que é a sua conseqüência. Essa é a grande vitória conquistada por Jesus crucificado!
Passemos o dia de hoje a saborear esses mistérios; agradeçamos a bondade infinita de Deus que nos resgatou por tão alto preço; choremos as dores de Jesus; regozijemo-nos com sua vitória e com as graças que nos mereceu. Antes de expirar, Ele nos dissera haver consumado a obra da nossa Redenção ou de nossa salvação. Resta-nos apenas o trabalho de aplicar-nos os seus méritos, rezando com freqüência e seguindo as suas pegadas. É assim que fazemos?

4.° Frutos da  vitória de Jesus

Jesus, que nada tinha a ver com a morte, dela triunfou em proveito nosso; tornou-a doce, transformando-a em passagem para uma vida melhor. Antes da vinda do Redentor, era duro deixar a terra, até para os justos, pois que o céu lhes estava fechado. Por sua morte, diz o apóstolo, o Cristo libertou os que a morte conservara presos durante toda a sua vida. A confissão, a eucaristia, a extrema-unção, as indulgências, frutos preciosos da morte do Salvador, desfazem todo o amargor de nossa última hora.
De fato, Jesus foi o primeiro a beber o cálice que nos amedrontava; e no-lo apresenta para que o bebamos também. Mas a nossa parte é bem mais doce do que a Sua. Sobre a cruz em que agonizava, não tinha Ele repouso. Todas as ondas da cólera divina pareciam descarregar sobre Ele: expirou de dores, saturado de opróbrios por suas criaturas. Um tal espetáculo não é porventura capaz de adoçar a amargura da nossa última agonia e de tornar-nos consoladora a morte? Habituemo-nos a meditar em Jesus crucificado, para que no momento supremo a vista do crucifixo nos anime e nos dê a paz com a esperança da salvação.
Recordemos que a morte nos tornou doce pela vitória de Jesus sobre o pecado.
Participaremos dos frutos dessa vitória se triunfarmos do pecado e das inclinações que a eles conduzem. Reprimamos o orgulho, que resiste à autoridade legítima e recusa obedecer-lhe; a sensualidade, que só pensa no prazer dos sentidos e se quer satisfazer apesar dos gritos e remorsos da consciência; a avareza insaciável, que se apega aos bens passageiros sem cuidar das riquezas eternas.

“Salve, cabeça ensangüentada, coroada de espinhos, ferida, rasgada, batida pela cana, coberta de escarros! Salve! Em vossa face tão suave vemos os sinais da morte; perdeu a cor, mas sob aquela espantosa palidez adora-vos a corte celeste.
Ó Jesus, tão ferido, tão esmagado e condenado pelos nossos pecados! Ó Santa Face, fazei que aos olhos deste indigno pecador resplandeça um sinal de vosso amor! Pequei, perdoai-me! Não me rejeiteis para longe de vós. Enquanto a morte se aproxima de vós, inclinai um pouco para mim vossa cabeça e deixai que repouse entre meus braços...
E quando também eu tiver de morrer, vinde logo, ó Jesus, sede meu socorro. Protegei-me e libertai-me! Partirei quando quiserdes, meu querido Jesus, mas ficai então junto de mim! Apertar-vos-ei ao peito, porque me amais, mas então, mostrai-vos a mim naquela cruz que me salvou!” (São Bernardo de Claraval, PL 184) 

QUINTA-FEIRA SANTA



QUINTA-FEIRA SANTA
 MISSA COMEMORATIVA DA CEIA DO SENHOR

A ÚLTIMA CEIA

1° Primeira parte da última ceia

No dia dos ázimos, diz são Lucas (22), Jesus mandou a Pedro e João preparar a Páscoa. “Entrando na cidade, disse-lhes, encontrareis um homem a carregar água; segui-o até a casa a que se dirige, e falai ao pai de família; este vos mostrará uma grande sala mobiliada, preparai lá o que é necessário”. A Páscoa simboliza aqui a Eucaristia. A sala mobiliada é a alma em estado de graça, enriquecida de virtudes sobrenaturais e dos dons do Espírito Santo. Pedro e João representam a fé e o amor que devem dispor-nos a receber o Homem-Deus.

À tarde da quinta-feira santa, o Cordeiro pascal estava sobre a mesa do cenáculo onde se reuniram os discípulos com o divino Mestre. Esse cordeiro figurava a augusta Vítima da cruz e dos nossos altares. Ceava-se de pé, o bastão na mão, e os rins cingidos como para viagem. Ajuntavam-se ervas silvestres e amargas, e tudo era comido às pressas. Que nos indicam essas cerimônias? Primeiro, que a Eucaristia é o alimento do exílio e da viagem para o céu; depois, que para ela é necessário dispor-se pela castidade, mortificação dos sentidos e com uma santa avidez.
Pelo fim da refeição, o Salvador ergue-se da mesa, toma uma toalha com que se cinge, derrama água numa bacia e, de joelhos, diante dos apóstolos, lava-lhes os pés. Anjos do céu, que dizeis? Não teria sido favor excessivamente grande para os discípulos, se Jesus lhes permitisse que lhe lavassem os sagrados pés com suas lágrimas? Mas não! Ele mesmo quis prostrar-se aos pés dos seus servos, a fim de nos ensinar a humildade. Quis lavar-lhes os pés para nos mostrar a pureza interior exigida por seu divino Sacramento. A humildade e a pureza de coração são, de fato, duas disposições requeridas para alguém se unir a Jesus no banquete eucarístico.
Ó meu Redentor, mostrai a nossa miséria e a ternura da vossa caridade, a fim de que de Vós nos aproximemos com profunda humildade e uma confiança sem limites em Vossa bondade. Inspirai-nos a coragem de mortificar os nossos sentidos e más inclinações. Atraí para Vós todos os nossos afetos. Desejamos receber-vos com um coração embalsamado de fé, piedade e devoção, a fim de que a Comunhão sacramental produza em nós os mais preciosos e duráveis frutos.

2.° Instituição da Eucaristia

Depois de ter dado aos seus esse exemplo de humildade, lavando-lhes os pés, o divino Mestre pôs-se à mesa, e tomando o pão, benzeu-o e partiu-o, dizendo: “Isto é o meu corpo, que será entregue por vós”. Depois, tomando o cálice, disse: “Isto é o meu sangue, que será derramado por vós” (2 Cor 11, 24; Mt 26, 27). Essas expressões: “partiu-o, será entregue, derramado”, recordam-nos os sofrimentos do Homem-Deus; e, segundo o ensinamento da Igreja, a Eucaristia é uma recordação da paixão perpetuada entre nós.
Mas não é apenas uma recordação: é a realidade continuada de maneira incruenta. Como sacrifício, a Eucaristia renova a imolação do Calvário; como sacramento, aplica-nos os seus frutos. Sobre os altares Jesus é imolado pela espada misteriosa das palavras da consagração. O seu corpo quebra-se aparentemente na Santa Missa sob a forma do pão, e o seu sangue parece difundir-se sob as espécies do vinho. Assim se verifica a doutrina do Concílio de Trento: “No divino sacrifício oferece-se a mesma Vítima da cruz; Jesus Cristo é o mesmo sacrificador que, pelo ministério dos sacerdotes, se oferece a Deus em nossas igrejas como sobre o Calvário, com exceção apenas do modo”. Daí se evidencia que uma missa poderia resgatar o mundo da mesma forma como a paixão e a morte do Redentor.
Nos antigos sacrifícios, figuras do nosso, imolava-se a vítima e depois comia-lhe as carnes, tornando-se comensais de Deus. Da mesma forma, pela comunhão, participamos da imolação do altar, substancialmente a mesma do Calvário. Jesus dá-se a nós sob a forma de alimento; ora, uma vítima, para servir de alimento, deve primeiro ser imolada. Eis por que o Salvador só desce a nós depois de sacrificado sobre o altar; e consumidas as sagradas espécies, seu corpo cessa de nutrir as nossas almas, mas o seu espírito permanece em nós. A nós cabe o dever de submeter-nos a Ele para recebermos a vida, o impulso e a fecundidade. Ele traz-nos o fruto das suas dores; não esqueçamos; e em vez de procurarmos na comunhão doçuras sensíveis, procuremos tirar dela: 1.°  A luz que nos mostra os defeitos a corrigir; 2.° A coragem de lutar constantemente para a humilhação do nosso orgulho e a conformidade da nossa vontade com o beneplácito divino.
Jesus-Hóstia, vítima do Calvário e dos nossos altares, lembrai-nos que, assistindo à Santa Missa e principalmente participando do banquete eucarístico, devemos considerar-Vos como um Deus crucificado e ressuscitado e, por isso, crucificai-nos convosco, morrendo para a vida sensual, natural e imperfeita, a fim de ressuscitarmos convosco por uma vida de fé, sacrifício e oração, a qual nos una estreita e eternamente convosco.

“Jesus, vinde, tenho os pés imundos. Fazei-vos servo meu. Derramai água na bacia; vinde, lavai-me os pés. Bem o sei, temerário é o que vos digo, mas temo a ameaça de vossas palavras: ‘Se não te lavar os pés, não terás parte comigo’. Lavai-me, portanto, os pés para que tenha parte convosco. Mas, que digo, lavai-me os pés? Pôde dizê-lo Pedro que necessitava de lavar só os pés, porque estava todo limpo. Eu, ao contrário, uma vez lavado, preciso daquele batismo do qual vós, ó Senhor, dizeis: ‘Quanto a mim, com outro batismo devo ser batizado”(Orígenes, Das orações dos primeiros cristãos, 63).

quarta-feira, 27 de março de 2013

Nossa Senhora das Dores


NOSSA SENHORA DAS DORES


Na quarta-feira santa, celebra-se a história do encontro do Nosso Senhor dos Passos com a Nossa Senhora das Dores.

A devoção à Nossa Senhora das Dores tem origem na Tradição, que conta o encontro de Maria com seu filho Jesus, a caminho do Calvário.


Ao ver o amado filho carregando a pesada Cruz, torturado e sofrido, coroado de espinhos e ensangüentado, a dor da Mãe de Deus foi tão profunda que nos faz refletir até hoje sobre as nossas próprias dores.

Nos primórdios da Igreja, a festa era celebrada com o nome de Nossa Senhora da Piedade e da Compaixão. No século XVIII, o papa Bento XIII determinou, então, que se passasse a chamar de Nossa Senhora das Dores.

A ordem dos servitas foi responsável por criar uma devoção especial conhecida como “As Sete Dores de Nossa Senhora”, que nos lembram os momentos de sofrimento e entrega de Maria ao seu Senhor.

As Sete Dores de Maria:

1 - A profecia de Simeão – Lc 2, 35
2 - A fuga com o Menino para o Egito – Mt 2, 14
3 - A perda do Menino no templo, em Jerusalém – Lc 2, 48
4 - O encontro com Jesus no caminho do calvário – Lc 23, 27
5 - A morte de Jesus na cruz – Jo 19, 25-27
6 - A lançada no coração e a descida de Jesus da cruz – Lc 23, 53
7 - O sepultamento de Jesus e a solidão de Nossa Senhora – Lc, 23, 55

Fonte: http://farfalline.blogspot.com.br

segunda-feira, 25 de março de 2013

Certeza moral e crise da Igreja

Sidney Silveira

Quando a consciência de um homem é assaltada por dúvidas positivas em matéria grave, qualquer ação é, em si mesma, ilícita — como ensinam os bons manuais de Teologia Moral. Isto pelo seguinte fato:quem leva uma ação a cabo com consciência duvidosa a respeito de sua própria licitude aceita, temerariamente, a possibilidade de ofender a Deus e ao próximo. Noutras palavras, em caso de dúvida ou impossibilidade de chegar a uma certeza absoluta, é necessário reunir elementos suficientes para a inteligência alcançar o estado que os grandes tratadistas católicos chamam de certeza moral. Antes disso, convém não iniciar nenhuma ação.
Esse tipo de certeza é próprio das ocasiões em que se torna impossível chegar a certezas especulativas apoiadas em princípios intrínsecos indubitáveis, como são os que nos levam às certezas matemáticas ou metafísicas, por exemplo. A licitude da ação dependerá, pois, do fato de a consciência apoiar-se em princípios reflexos ou extrínsecosdecorrentes dos princípios intrínsecos. Em síntese, os princípios reflexos são assim chamados pelo fato de que lançam uma luz indireta e parcial sobre a ação, mas em grau suficiente para lograr-se a certeza moral na ordem prática. Ressaltemos que a luz, neste caso, não dissipa de todo as trevas especulativas, mas é suficiente para o homem empreender a ação. Analogamente, é como a luz bruxuleante de uma vela que, embora não ilumine o caminho com perfeição, o faz em nível suficiente para o homem poder seguir em frente sem tropeçar.

Eis alguns critérios encontráveis em Santo Afonso de Ligório e outros tratadistas de moral:
Ø Em caso de dúvida, é preciso considerar atentamente as normas gerais.
Ø Em caso de dúvida, é preciso julgar pelo que ordinariamente se praticou ao longo do tempo.
Ø Em caso de dúvida, deve-se pressupor a validez do ato.
Ø Em caso de dúvida, é preciso orientar-se pelo que, na prática, parece ser mais seguro.
Ø Em caso de dúvida, é preciso considerar se o ato em questão favorece ou contraria a lei e os princípios da ordem moral.
Ø Em caso de dúvida, convém colher a opinião de pessoa douta ou sábia na matéria.
Ø Etc.

Com tais bússolas um homem se nutre de razões suficientes para chegar à certeza moral. E aí, sim: tendo-a no horizonte, habilita-se a empreender a ação de forma lícita mesmo quando erra. Esta última advertência não nos custa fazer pelo simples fato de que a especificação do ato moral não se dá pelo resultado prático da ação, mas pela intenção do agente. É esta que define se a ação foi boa ou má, justa ou injusta. Assim, um professor imbuído da reta intenção de ensinar a matéria, mas que por alguma razão acidental não consegue, é moralmente mais digno que o professor negligente que, numa frase fortuita, acaba sem querer passando determinado ensinamento ao aluno.
Em breves palavras, todo homem tem a obrigação de empregar os meios possíveis para chegar a uma consciência verdadeira e reta antes de obrar, sobretudo nas ocasiões de extrema gravidade. Só assim se pode alcançar a certeza moral que lhe servirá de critério mais ou menos seguro para agir. Portanto, se a perplexidade de qualquer situação se impõe à consciência de uma pessoa — seja em razão do escândalo, seja em razão de contrariar o bom senso, seja em razão de favorecer o mal em detrimento do bem, seja em razão de ir contra a lei, etc. —, é dever dela se munir de critérios que a conduzam à certeza moral. Caso contrário, o pecado de omissão é gravíssimo.
Esta é, a propósito, a situação de pessoas cuja covardia se reveste do molde da falsa boa consciência, esta mesma que as faz acusar temerariamente quem não se mantém no marasmo, como elas. Em verdade, com total incerteza moral alegam agir com prudência e movidas por amor a um bem maior; infelizmente, trata-se da chamadaprudência da carne — tipificada, em sentido próprio, não pelo amor ao bem, mas pela hesitação culposa entre o bem e o mal, pelo temor mundano de ferir susceptibilidades ou perder algum benefício adquirido.
Muitas dessas pessoas boazinhas deixam escapar um afetado esgar de nojo ao ler as críticas construtivas de quem, tomando como critério a Tradição, o Magistério e a prática bimilenar da Igreja, aponta as absurdidades que a vem corroendo nas últimas décadas. Absurdidades doutrinais, pastorais, litúrgicas, canônicas, magisteriais, dogmáticas e políticas. Ora, como esses bons moços desconsideram muitos dos critérios que poderiam levá-los a julgar a situação presente munidos de uma certeza moral, acabam por se tornar acusadores daqueles cuja ação se transforma no incômodo espelho diante do qual as suas consciências remordem a si mesmas. Na prática, as acusações que engendram são mera autodefesa psicológica,mecanismo típico da neurose.
Pois bem. Uma das acusações dessa gente de tão bom coração e ilibada índole é a seguinte: os “tradicionalistas” são sedevacantistas práticos, pessoas movidas por um orgulho insano manifestado pela desobediência em que caíram. No que nos diz respeito, como o ônus da prova é de quem acusa, desafiamos estes eruditos conhecedores da doutrina católica a provar isto com razões suficientes — e com a devida associação da teoria a exemplos práticos. Tipo assim: seria desobediência sedevacantista apontar publicamente a absurdidade do discurso do Papa Francisco em prol de uma Igrejapobre e para os pobres? Essa opinião do Papa é porventura magisterial? Tem ela a intenção declarada de se impor aos fiéis católicos como doutrina a ser seguida? Divergir dela é, por acaso, desobediência? Etc.
Apenas aconselhamos a estes homens cuja habitual prudência é fechar os olhos para não ver, e tapar o nariz para não sentir eventuais odores nauseabundos, a estudar muito bem antes de dar razões à sua desrazão, ou seja: antes de se lançar à demonstração cabal de que somos uma espécie de "sedevacanista prático".
Se porventura forem dialeticamente degolados, sirva-lhes de consolo que o terão sido com e por amor. O mesmo amor à Igreja que eles alegam em sua defesa ao acusar moralmente o próximo.
P.S. Escolhemos este breve vídeo do falecido Prof. Orlando Fedeli não apenas porque subscrevemos integramente o que ali se diz, mas também porque o trecho em que ele menciona D. Hélder Câmara é muitíssimo a propósito para ilustrar o momento presente.

Fonte: http://contraimpugnantes.blogspot.com.br/

sábado, 23 de março de 2013

quinta-feira, 21 de março de 2013

OS FIÉIS TEM O DIREITO DE SABER




Tradução: Capela Nossa Senhora das Alegrias - Vitória/ES
Observação a respeito da tradução: capela@nossasenhoradasalegrias.com.br

LASAPINIÈRE

“Os fiéis tem todo o direito de saber que os sacerdotes aos quais se dirigem não estão em comunhão com uma falsificação de Igreja, evolutiva, pentecostalista e sincretista” (Carta aberta a Sua Eminência Cardeal Gantin, Prefeito da Congregação dos Bispos, Ecône, 6 de julho de 1988, Fideliter N° 64, julho-agosto de 1988, págs.. 11-12)

Não se trata de um “zelo amargo” nem de “atuar com uma dureza contínua”, mas de constatar certo liberalismo na Fraternidade. Os fatos estão ali e nada se pode contra os fatos.

Não se trata de culpar todo aquele que não esteja de acordo com nosso ideal, se trata de constatar e de se interrogar sobre o fato de que os sacerdotes da Fraternidade não atuam segundo o ideal da Fraternidade. A conduta doutrinal excelente de tal superior, o zelo detal prior pode esconder esta realidade ante nossos olhos, mas é um fato que, influenciados pelos exemplos e os discursos de nosso Superior Geral, certos confrades, possuindo a etiqueta “Fraternidade Sacerdotal São Pio X” se conduzem à prática como os que já aderiram à Roma, e isto até mesmo antes da adesão à Igreja Conciliar.

Os fiéis tem todo o direito de saber que um prior, durante uma sessão de teologia, notou que não podia dizer: “Bento XVI é um modernista”. Este prior confiou também a um confrade de já não poder, em consciência, rezar aos fiéis pela “conversão de Roma e dos bispos”, intenção que é parte das intenções da Fraternidade (Cor Unum nº 35)

Os fiéis tem todo o direito de saber que dois priores confiaram ao Superior de um Distrito importante que estavam prontos para celebrar a Missa Paulo VI (1º canon). O que se une à observação de Mons. Fellay ao cardeal Cañizares durante uma visita de uma badia “NovusOrdo” perto de Florença [Itália].

“Se Mons. Lefebvre tivesse conhecido como se celebrara ali, não teria dado o passo que deu”.

É zelo amargo escandalizar-se com estas reações? Os cardeais Bacci e Ottaviani não teriam aprovado o “breve exame crítico” por convite de Mons. Lefebvre, se tivessem visto “como se celebrava a Missa ali?

Os fiéis tem todo o direito de saber que em Kansas City um sacerdote repreendeu a um fiel, senhor B., por falar mal do “Novus Ordo”. Este sacerdote lhe disse: “agora já não se fala assim”. 

Os fiéis tem todo o direito de saber que em Post Falls um prior declarou recentemente que o papel da Fraternidade não era combater o Concílio Vaticano II, mas o de velar pela santificação dos sacerdotes, como se estes dois deveres pudessem ser opostos.

Os fiéis tem todo o direito de saber que em Chartres um prior, para tentar justificar a política de Mons. Fellay, tentou convencer um confrade que a beatificação de João Paulo II não foi tão grave porque “o homem é que foi exaltado” e não sua doutrina, e que a iniciativa de Assis III não foi tão escandalosa porque “o fato de que Bento XVI tenha convidado ateus manifesta que não se tratou de uma reunião religiosa”. É zelo amargo estar escandalizado com estas afirmações?

Os fiéis tem todo o direito de saber que na Flórida um prior impediu um pedido de livros contra o Concílio Vaticano II pela encarregada. Denunciado publicamente, devia, com raiva, recuar de sua ordem e encher suas prateleiras com estes livros. O mesmo aconteceu com o catálogo da Angelus Press graças à vigilância dos sacerdotes da Fraternidade de estrita observância. Assim, “Eu acuso o Concílio” e um fascículo sobre a jurisdição de suplência que haviam sido oficialmente descontinuados reapareceram no catálogo.

Os fiéis tem todo o direito de saber que o Superior do Distrito dos Estados Unidos pediu ao Angelus Press para que abandone a publicação em língua inglesa do “Sim, sim, Não, não” e vigiou, durante o congresso anual de Kansas City, que os conferencistas se submetessem às modificações impostas pela nova linha de Mons. Fellay. Pe. Rostand também pediu que se apague todo vestígio de Mons. Williamson no seminário de Winona, que difundia seus sermões, suas conferências e seus artigos. Estranha atitude, já que o mesmo Mons. Fellay disse ter por “Mons. Williamson admiração, por seus golpes geniais na luta contra o Vaticano II”...

Os fiéis tem todo o direito de saber que Pe. Cyprian, que é um sobrevivente de Barroux, passando por Denver tentou provar em um sermão que a situação na Igreja oficial estava se consertando, declaração que, graças a Deus, horrorizou ao sacerdote da Fraternidade que estava presente.

Os fiéis tem todo o direito de saber que o libro do Pe. Troadec sobre “a familia católica” contém numerosas citações “aceitáveis” de Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI. Mas, desgraçadamente, se esqueceram de relatar que Bento XVI, em 15 de dezembro de 2010, recebeu no Vaticano os pervertidos do “Gay circus” que realizaram seu espetáculo. Porque como disse São Pio X: em um modernista, uma página é católica, mas a seguinte é racionalista. A página católica não prova nada entre essa gente, cuja inteligência está corrompida.

Os fiéis tem todo o direito de saber que em Brignoles uma irmã titular rezou em sua classe por “nosso bom papa que renuncia” e se inquietou porque nas famílias se dizia que este papa não era bom, sendo que fora ele que “havia liberado a missa”. Isto confundiu a um de seus alunos, já que antes a madre dizia que este papa “ensinava erros”.

Como é que estas posições tomadas objetivamente contrárias à linha e aos princípios da Fraternidade puderam dispersar-se entre seus membros se não for pelo exemplo que vem de cima?

Os fiéis tem todo o direito de saber que o fato de afirmar, hoje em dia, junto a Mons. Lefebvre que: “Dizer ‘sair da Igreja visível’ é enganar-se assimilando a Igreja oficial e a Igreja visível’, o que implica, para numerosos superiores, o sedevacantismo que para eles representa o pecado dos pecados, enquanto se trata de uma hipótese que, segundo Mons. Lefebvre, poderia ser   ‘um dia confirmada pela Igreja, porque ela tem argumentos muito sérios’”.

Com efeito, os fiéis tem todo o direito de saber que em São Nicolau, diante dos priores da França, em 9 de novembro de 2012, um confrade pediu a  Mons. Fellay o esclarecimento sobre os rumores nos quais se afirmava que no dia 13 de junho havia ido a Roma para fazer acordo. Nosso Superior Geral negou que tal acordo fosse possível – porque essa não era “a maneira de se fazer” – ele havia “enviado o texto para estuda-lo...”, logo explicou que “o acordo havido sido em três tempos...” Mas os padres Lorans, Nély, Pfluger, nessa época e a várias pessoas, confiaram com alegria que no dia 13 de junho Mons. Fellay foi a Roma para fazer acordo. Mons. De Galarreta, ainda que com tristeza e apreensão, em 15 de junho disse a um confrade que esperava o anúncio do acordo pela rádio no dia 13 de junho, pela noite, já que “Ele (Mons. Fellay) havia ido a Roma para fazer o acordo”.

Os fiéis tem todo o direito de saber que os superiores do Distrito da Bélgica e da Suíça, os padres Wailliez e Wuilloud, antes de 13 de junho de 2012, fizeram uma viagem à Espanha expressamente para convencer ao Superior deste Distrito, durante dois dias, sobre a bem fundada política da adesão a Roma de Mons. Fellay. E, ao mesmo tempo, o Secretário Geral chamou por telefone ao Superior da Inglaterra para criticar suas declarações durante uma conversa privada, mas que foram transmitidas a Menzingen [Suíça]. O Pe. Thouvenot não esqueceu, durante esta conversa telefônica, de evocar a este superior a possibilidade de sua exclusão do Capítulo.

Os fiéis tem todo o direito de saber que para o Pe. Pfluger “não é somente o estado da Igreja pós-conciliar que é imperfeito, o nosso também é” (outubro de 2012). E que em novembro de 2012, Mons. Fellay confiou a um confrade que:

1) Queria um reconhecimento canônico;
2) Estava perfeitamente de acordo com Pe. Pfluger

Os fiéis tem todo o direito de saber que Pe. Schmidberger, que trabalhou mais de um mês em Roma, no protocolo de acordo, pensa o mesmo:

As discussões nos revelaram certa debilidade em nossa condição. Nós devemos ter a humildade de admitir. Nós experimentamos igualmente um processo de clarificação no interior. Nós não estamos de acordo com aqueles que rechaçam toda discussão com Roma”.

O Superior do Distrito da Alemanha parece já não estar de acordo com Mons. Lefebvre quando pôs fim às relações com Roma nestes termos:

Se não aceitam a doutrina de seus predecessores, é inútil falar. Enquanto não tenham aceitado reformar o Concílio considerando a doutrina de estes papas que os precederam, não há diálogo possível. É inútil”.(Fideliter, set-out. 1988)

Sem embargo, é verdade que a Fraternidade em sua maioria não busca a adesão a Roma, mas a comissão Ecclesia Dei que recebeu a visita do Pe. Nély no final de dezembro de 2012, bem disse: é necessária “a paciência, a serenidade, a perseverança e a confiança”. A “reconciliação” não é mais que questão “de tempo”. Seria bom que nossos superiores os dissessem que não é uma questão de tempo, mas de princípios. Mas exigir isto hoje em dia é considerado zelo amargo.

Os fiéis tem todo o direito de saber que para impedi-los de julgar, não temem nem o ridículo nem o sofisma. Um prior na França tentou convencer a seus fiéis de que eles não poderiam fazer um juízo como ato de inteligência que constata a verdade de uma coisa (a linguagem dúbia de Mons. Fellay) apoiando-se em um tratado de Santo Tomás falando do juízo, mas como um ato do juiz que dispensa a justiça. Recordou aos fiéis que “Nosso Senhor foi compassivo, paciente, condescendente” com seus apóstolos tão imperfeitos, que Ele os “repreendeu de uma maneira amável, paciente e doce, mas firme ao mesmo tempo”. Mas isto é confundir e despreciar  o “sim, sim, não, não” de Nosso Senhor.

Os fiéis tem todo o direito de saber que quando um prior perguntou se a negociação da ordenação dos dominicanos e capuchinhos estava relacionada com nossas relações romanas, Mons. Fellay o respondeu:

É uma falta de confiança pessoal que experimentei no que diz respeito a estas comunidades... e é uma coisa tão grave ordenar um sacerdote, que preferi esperar...” (9 de novembro de 2012, Paris)

Para medir a grotesca e soberba desumanidade desta resposta, os fiéis tem de saber que os diáconos capuchinhos estavam em retiro com os diáconos da Fraternidade quando foram notificados da negativa de suas ordenações. Eles agora podem comparar esta reação de Mons. Fellay em relação às comunidades amigas e a reação de Mons. Lefebvre submetido à pressão romana:

Vocês sabem que o núncio veio pedir que eu não faça as ordenações, então, claro que lhe respondi: não é a dez dias das ordenações que se pode fazer uma coisa dessas, não é possível. Eu diria, inclusive falando humanamente. Estes jovens sacerdotes trabalharam durante cinco anos para se prepararem para a ordenação, e a dez dias dela, quando seus pais estão prontos para vir, quando as primeiras missas foram anunciadas por todas as partes, é nesse momento que me pedem para não fazer as ordenações. Ordenações que são legítimas. Estes seminaristas, que fizeram seus estudos de maneira regular, tem um direito natural de obterem o resultado da preparação que fizeram”. (Cospec 32A)

Não se joga com as palavras. A situação atual da Igreja pede nosso testemunho valente e inequívoco para a causa católica. As manobras de uma diplomacia duvidosa, contrária tanto ao direito como à simplicidade do Evangelho, não podem senão prejudicar nossa grande causa”. (Franz Schmidberger, 13 de maio de 1985)

A direção ambígua de Mons. Fellay indubitavelmente debilitou a Fraternidade. Está longe o tempo quando a Fraternidade, de maneira reta e caritativa, dizia:

Assim que, quando se examinam as coisas próximas, nos percebemos que existe um grupelho de liberais, de modernistas que conhecem todos entre si e que tomaram o poder. Se lemos o livro do cardeal Ratzinger “Fé cristã ontem e hoje”, descobrimos uma noção da fé completamente acatólica. É, inclusive, simplesmente herética”. (Franz Schmidberger, Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Fideliter N° 69. Mai-jun 1989. Pág. 6-7)

Mas dizer isto hoje em dia será considerado zelo amargo.

Kyrie Eleison.

terça-feira, 19 de março de 2013

Artigos sobre a Sempre Virgem Maria Santíssima | blog Vas Honorabile


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-Sua Pobreza; (Publicado recentemente)
-Sua Obediência; (Publicado recentemente)
-Sua Paciência; (Publicado recentemente)
-Seu Espírito de Oração. (Publicado recentemente)


Dogmas


Santo Rosário

Ofício da Imaculada Conceição


Aparições

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Veja também:


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"Nossa Senhora é o rio que traz aos miseráveis mortais todas as graças e presentes de Deus".
Bento XIV, Bula Gloriosæ Dominæ.