terça-feira, 28 de maio de 2013

Sermão do Padre René Trincado Domingo da Santíssima Trindade México, 26 de Maio de 2013


Sermão do Padre René Trincado
Domingo da Santíssima Trindade
México, 26 de Maio de 2013


Tradução: Capela Nossa Senhora das Alegrias - Vitória/ES
Observações: capela@nossasenhoradasalegrias.com.br


A GUERRA NÃO É VOSSA MAS SIM DE DEUS


Houve um rei de Judá, chamado Josafat, que governou com temor de Deus. É muito elogiado por muitas obras santas que fez, como, por exemplo, quando se diz na Escritura que “varreu da terra o resto dos efeminados que haviam ficado do tempo de sua pátria Asá” (1 Reis, 22-47).

Em certa ocasião o Reino de Judá se viu gravemente ameaçado por uma aliança poderosa das nações vizinhas, humanamente impossível de vencer. O Rei Josafá, muito angustiado, suplicou o auxilio divino diante de todo o povo. Ao finalizar sua oração, um profeta chamado Jahaziel, se levantou e disse: “Ouvi, toda Judá, e vós moradores de Jerusalém, e tú, rei Josafá. O Senhor os disse: não temais nem se amedronteis diante desta tão grande multidão, porque a guerra não é vossa senão de Deus. Não temais nem desanimeis; marchai contra eles porque o Senhor está convosco” (2 Cron. 20 15,17). Cheio de valor, de confiança em Deus, e desprezando os meios puramente humanos, marchou o rei na cabeça do seu pequeno exército contra os poderosos inimigos, e estes foram esmagados por obra de Deus. A guerra não era sua, era de Deus.

A ORDEM DE BATALHA DE CRISTO

No Evangelho de hoje, festa da Santíssima Trindade, nos diz Nosso Senhor: “Ide e ensinai a todas as gentes batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo: ensinando-as a observar todas as coisas que os hei mandado: e olhai que estou convosco todos os dias até o fim dos tempos”.

Dado que o diabo se opõe sempre a extensão do Reino de Deus, com essas palavras Cristo nos deu uma verdadeira ordem de batalha, pois ir a conquistar para Ele todas as gentes, implica marchar contra todos os demônios e seus exércitos humanos. Por isso a Igreja dos vivos se chama “militante”, é dizer, combatente, e Santo Eusébio, comentando este Evangelho, diz que Nosso Senhor, fazendo-nos exército do Reino dos Céus, nos dispôs para a guerra contra os inimigos.

São João Crisóstomo assinala que Cristo veio dar início a guerra católica e que por isso manifestou desde um começo a classe de combate que havíamos de sustentar, mais terrível que toda guerra civil. E, por sua parte, São Jerônimo diz sobre este Evangelho, que Nosso Senhor, ao prometer estar conosco, seus discípulos, até o fim dos tempos, indica que venceremos sempre.

Se a guerra é de Deus e não nossa, não devemos buscar, para livrar-se dela, socorros humanos, senão que devemos aderir por inteiro a fé. Quanto menos buscarmos os apoios terrenos – diz Santo Ambrósio – mais encontraremos os auxílios divinos.

VATICANO II: A PAZ DO DIABO

Pois bem, depois de quase vinte séculos de guerra, de resistência da Igreja entre duros combates, finalmente veio o demônio com sua obra mestra, o Concílio Vaticano II, a converter em letra morta a ordem de batalha de Cristo: o liberalismo, batizado no concílio, acabou com a guerra: se assinou por fim a paz com o demônio, com o mundo e com a carne.

Se existe direito a não ser católico, a liberdade religiosa e de consciência, como ensinam os maçons e os documentos conciliares: se fora da Igreja há salvação, se não há inferno ou está vazio, como pretendem os modernistas; para que ir batizar e evangelizar? Para que ir combater? Melhor ir dialogar para corrigir os meros maus entendidos que impedem a realização da paz mundial, dessa unidade dos homens não fundada em Cristo, que é o novo fim da Igreja, segundo os liberais e os hereges modernistas. O santo espírito missionário foi destruído pelo concílio, e seu lugar foi usurpado pelo diálogo ecumênico que não é outra coisa que a continuação daquele diálogo catastrófico entre Eva e a serpente.

SE DERRUBA DESDE DENTRO O ÚLTIMO BASTIÃO

Contra este engano diabólico se levantou nosso fundador, Monsenhor Lefebvre, mas 40 anos depois vemos que a congregação que lutava gloriosamente contra o liberalismo, está abandonando gradualmente a trincheira, está deixando paulatinamente de combater e está mendigando migalhas a seita conciliar.

Perdida a esperança na conversão de Roma pelo poder divino – coisa que parece impossível aos que deixaram de confiar inteiramente em Deus – e esquecendo que esta guerra não é dos homens senão de Deus; se busca um auxílio humano, uma aliança adúltera com os liberais moderados, a ajuda de uns supostos “novos amigos em Roma” (Cor Unum 101), se pretende um acordo de paz com o inimigo (esteve a ponto de firmar-se no ano passado), se pensa que estando na estrutura oficial, converteremos os modernistas e restauraremos a Igreja. Mas tudo isto não é mais que uma horrorosa ilusão, e esta ilusão está fazendo baixar os braços aos que combatiam valorosamente por Cristo: “Não se vem já na Fraternidade os sintomas dessa diminuição na confissão da Fé?” diziam os três bispos ao Conselho Geral na carta de 7 de abril do ano passado. O combate diminui, o diálogo aumenta. Mas o conciliador termina conciliar.

NÃO VIM TRAZER PAZ SENÃO ESPADA

Contra esses sonhos pacifistas tão característicos dos liberais, estão as palavras eternas de Cristo: “Não vim trazer paz, senão a espada [ou divisão]” (Mt. 10, 34; Lc 12,51). Uma é a espada da paz do mundo; outra é a paz de Cristo. “Vos deixo a paz, minha paz dou-Vos; não como o mundo no-la dá, Eu dou-Vos. Não se perturbe o vosso coração, nem tenhais medo” (Jo. 14, 27).

Há uma paz boa e há uma paz má. E há uma divisão boa e uma divisão má. A paz segundo o mundo é a união dos homens para o bem ou para o mal, “a paz de Cristo é a união que Ele estabelece entre o Céu e a terra por sua Cruz” (Col. 1), diz São Cirilo citando São Paulo, e agrega que é má a paz quando separa do amor divino. E São João Crisóstomo, falando da boa espada ou divisão, diz que o médico, a fim de conservar o resto do corpo, corta o que tem por incurável. E acrescenta que uma divisão boa terminou com a má paz que havia na torre de Babel e que São Paulo, por sua vez, dividiu a todos os que se haviam unido contra ele (Atos 23), porque nem sempre a concórdia é boa e os ladrões também se unem [para fazer suas delinquências]  

Estimados fiéis: o fumo de Satanás, o liberalismo, entrou na Tradição por uma greta aberta desde dentro. Por isso agora se busca uma paz que não é de Cristo.

DEUS DECLAROU GUERRA

De Deus, e tanto assim que é a única guerra declarada por Deus. Em efeito, ensina São Luis Maria Grignon de Montfort em seu “Tratado da Verdadeira Devoção”, que “Deus não fez nem formou nunca mais que uma só inimizade – e inimizade irreconciliável -, que durará e aumentará até o fim; e é entre Maria e o diabo; entre os filos e servidores da Santíssima Virgem e os filos e sequazes de Lúcifer”.
 
E disse Deus: “Eu porei inimizades entre ti e a mulher e entre tua descendência e a dela (Gen. 3,15). Aí está a declaração de guerra. É Deus quem declarou a guerra. É sua guerra, não é nossa. Nosso dever é combater sem pretender colocar fim a essa guerra. Não temos direito a fazer a paz. Não temos direito a nos render. Temos o dever de guerrear. “Aos soldados cabe combater e a Deus dar a vitória”, dizia Santa Joana d’Arc.

Sendo assim, nenhum homem deve pretender fazer uma trégua com os liberais inimigos de Cristo, nem negociar um acordo de paz com os destruidores da Igreja, nem aceitar uma paz decretada pelos que – em quanto hereges modernistas – são soldados do diabo. Isso tem um nome: traição. E quem o busque ou está disposto a aceitar essa paz também tem um nome: traidor.

Que pela intercessão de nossa Mãe, a Santíssima Virgem Maria, Deus nos conceda seguir as pegadas de todos os mártires e de todos os santos, e receber do Céu a ferrenha resolução de combater até o fim e a graça de morrer antes de trair.

“Ouvi, toda Judá, e vós moradores de Jerusalém, e tú, rei Josafá. O Senhor os disse: não temais nem se amedronteis diante desta tão grande multidão, porque a guerra não é vossa senão de Deus.

SERMÓN EN LA FIESTA DE LA SANTÍSIMA TRINIDAD – R.P. RENÉ TRINCADO


LA GUERRA NO ES VUESTRA SINO DE DIOS

Hubo un rey de Judá, llamado Josafat, que gobernó con temor de Dios. Se le elogia por muchas obras santas, como, por ejemplo, cuando se dice en la Escritura que “barrió de la tierra el resto de los afeminados que habían quedado en el tiempo de su padre Asá” (1 Rey. 22 47).

En cierta ocasión el Reino de Judá se vio gravemente amenazado por una alianza poderosa de las naciones vecinas, humanamente imposible de vencer. El Rey Josafat, muy angustiado, suplicó el auxilio divino delante de todo el pueblo. Al finalizar su oración, un profeta llamado Jahaziel, se levantó y dijo: “Oíd, Judá toda, y vosotros moradores de Jerusalén, y tú, rey Josafat. El Señor os dice: no temáis ni os amedrentéis delante de esta tan gran multitud; porque la guerra no es vuestra sino de Dios. No temáis ni desmayéis; marchad contra ellos porque el Señor está con vosotros” (2 Cron. 20 15, 17). Lleno de valor, de confianza en Dios, y despreciando los medios puramente humanos, marchó el rey a la cabeza de su pequeño ejército en contra de los poderosos enemigos, y éstos fueron aplastados por obra de Dios. No era suya la guerra sino de Dios.

LA ORDEN DE BATALLA DE CRISTO

En el Evangelio de hoy, fiesta de la Sma. Trinidad, nos dice N. Señor: "Id y enseñad a todas las gentes bautizándolas en el nombre del Padre, del Hijo y del Espíritu Santo: enseñándoles a observar todas las cosas que os he mandado: y mirad que estoy con vosotros todos los días hasta el fin de los tiempos".

Dado que el diablo se opone siempre a la extensión del Reino de Dios, con esas palabras Cristo nos ha dado una verdadera orden de batalla, pues ir a conquistar para Él a todas las gentes, implica marchar contra todos los demonios y sus ejércitos humanos. Por eso la Iglesia de los vivos se llama “militante”, es decir, combatiente, y San Eusebio, comentando este Evangelio, dice que N. Señor, haciéndonos ejército del Reino de los Cielos, nos dispuso para la pelea contra los enemigos.

San Juan Crisóstomo señala que Cristo vino a dar inicio a la guerra católica y que por eso manifestó desde un comienzo la clase de combate que habíamos de sostener, más terrible que toda guerra civil. Y, por su parte, San Jerónimo dice sobre este Evangelio, que N. Señor, al prometer estar con nosotros, sus discípulos, hasta el fin de los tiempos, indica que venceremos siempre.

Si la guerra es de Dios y no es nuestra, no debemos buscar, al librarla, socorros humanos, sino que debemos adherirnos por entero a la fe. Cuanto menos busquemos los apoyos terrenos -dice San Ambrosio- más encontraremos los auxilios divinos.

VATICANO II: LA PAZ DE DIABLO

Pues bien, luego de casi veinte siglos de guerra, de resistencia de la Iglesia entre duros combates, finalmente vino el demonio con su obra maestra, el Concilio Vaticano II, a convertir en letra muerta la orden de batalla de Cristo: el liberalismo, bautizado en el concilio, acabó con la guerra: se firmó por fin la paz con el demonio, el mundo y la carne.

Si hay derecho a no ser católicos, a la libertad religiosa y de conciencia, como enseñan los masones y los documentos conciliares; si fuera de la Iglesia hay salvación, si no hay infierno o está vacío, como pretenden los modernistas; ¿para qué ir a bautizar y a evangelizar? ¿Para qué ir a combatir? Mejor ir a dialogar para subsanar los meros malos entendidos que impiden el logro de la paz mundial, de esa unidad de los hombres no fundada en Cristo, que es el nuevo fin de la Iglesia, según los liberales y los herejes modernistas. El santo espíritu misionero ha sido destruido por el concilio, y su lugar ha sido usurpado por el diálogo ecuménico que no es otra cosa que la continuación de aquel diálogo catastrófico entre Eva y la serpiente.

SE DERRUMBA DESDE DENTRO EL ÚLTIMO BASTIÓN

Contra este engaño diabólico se levantó nuestro fundador, Mons. Lefebvre, pero 40 años después vemos que la congregación que luchaba gloriosamente contra el liberalismo, está abandonando gradualmente la trinchera, está dejando paulatinamente de combatir y está mendigando migajas a la secta conciliar. Perdida la esperanza en la conversión de Roma por el poder divino -cosa que parece imposible a los que han dejado de confiar enteramente en Dios- y olvidando que esta guerra no es de los hombres sino de Dios; se busca un auxilio humano, una alianza adúltera con los liberales moderados, la ayuda de unos supuestos “nuevos amigos en Roma” (Cor Unum 101), se pretende un acuerdo de paz con el enemigo (estuvo a punto de firmarse el año pasado), se piensa que estando en la estructura oficial, convertiremos a los modernistas y restauraremos la Iglesia. Pero todo esto no es más que una horrorosa ilusión, y esta ilusión está haciendo bajar los brazos a los que combatían valerosamente por Cristo: “¿No se ven ya en la Fraternidad los síntomas de esa disminución en la confesión de la Fe?”, decían los tres Obispos al Consejo General en su carta de 7 de abril del año pasado. El combate disminuye, el dialogo aumenta. Pero el conciliador termina “conciliar”.

NO HE VENIDO A TRAER PAZ SINO ESPADA

Contra esos sueños pacifistas tan característicos de los liberales, están las palabras eternas de Cristo: “No he venido a traer paz sino espada [o división]” (Mt. 10, 34; Lc. 12, 51). Una es la paz del mundo; otra es la paz de Cristo. "La paz os dejo, mi paz os doy; no como el mundo la da, Yo os la doy. No se turbe vuestro corazón, ni tenga miedo" (Jn. 14, 27).

Hay una paz buena y hay una paz mala. Y hay una división buena y una división mala. La paz según el mundo es la unión de los hombres para bien o para mal, “la paz de Cristo es la unión que Él establece entre el cielo y la tierra por su Cruz(Col. 1)”, dice San Cirilo citando a San Pablo, y agrega que es mala la paz cuando separa del amor divino. Y San Juan Crisóstomo, hablando de la buena espada o división, dice que el médico, a fin de conservar el resto del cuerpo, corta lo que tiene por incurable. Y agrega que una división buena terminó con la mala paz que había en la torre de Babel y que San Pablo, a su vez, dividió a todos los que se habían unido contra él (Hch. 23), porque no siempre la concordia es buena y los ladrones también se unen [para delinquir].

Estimados fieles: el humo de Satanás, el liberalismo, ha entrado a la Tradición por una grieta abierta desde dentro. Por eso ahora se busca una paz que no es de Cristo. En lo que a nosotros respecta, sepamos vivir y morir en la trinchera, porqueno es nuestra esta guerra sino de Dios.

DIOS HA DECLARADO LA GUERRA

De Dios, y tanto así que es la única guerra declarada por Dios. En efecto, enseña san Luis María Grignion de Montfort en su “Tratado de la Verdadera Devoción”, que “Dios no ha hecho ni formado nunca más que una sola enemistad -y enemistad irreconciliable-que durará y aumentará hasta el fin; y es entre María y el diablo; entre los hijos y servidores de la Santísima Virgen y los hijos y secuaces de Lucifer”. Y dijo Dios: «Yo pondré enemistades entre ti y la mujer y entre tu descendencia y la suya» (Gen. 3, 15)”. Ahí está la declaración de guerra. Es Dios el que ha declarado la guerra. Es su guerra, no es nuestra. Nuestro deber es combatir sin pretender poner fin a esa guerra. No tenemos derecho a pactar la paz. No, no tenemos derecho a rendirnos. Tenemos el deber de pelear. “A los soldados toca combatir y a Dios dar la victoria”, decía Santa Juana de Arco.

Siendo así, ningún hombre debe pretender hacer una tregua con los liberales enemigos de Cristo, ni negociar un acuerdo de paz con los destructores de la Iglesia, ni aceptar una paz decretada por los que -en cuanto herejes modernistas- son soldados del diablo. Eso tiene un nombre: traición. Y el que busque o esté dispuesto a aceptar esa paz tiene también un nombre: traidor.

Que por la intercesión de nuestra Madre, la Santísima Virgen María, Dios nos conceda seguir las huellas de todos los mártires y de todos los santos, y recibir del Cielo la férrea resolución de combatir hasta el final y la gracia de morir antes que traicionar.

“Os dice el Señor: no temáis ni os amedrentéis delante de esta tan gran multitud; porque la guerra no es vuestra sino de Dios”


sexta-feira, 24 de maio de 2013

FSSPX: Que não sejamos nós!


Obs: A Missão Cristo Rei está em pleno acordo tanto com o editorial como também com os comentários da tradutora Sra. Giulia D, Amore. Salve Maria! 


EDITORIAL DO “THE RECUSANT” n°7, MAIO/JUNHO DE 2013.-





Estimado leitor:

Um ou dois de vocês se declaram um tanto desconcertados por causa do editorial do mês passado. E têm toda razão. A situação é espantosa, sendo pois normal que vocês estejam um pouco sobressaltados.

Assim, se a redação, a impressão e circulação deste boletim de noticias servem para alguma coisa, deve ser que não tem medo de lidar inclusive com as consequências mais horríveis da realidade que agora enfrentamos.

Apenas admitindo uma situação podemos começar a lidar com ela de maneira inteligente e honesta. E mesmo que a realidade seja dura e o panorama sombrio, realmente deveríamos estar agradecidos ao Senhor por nos ter colocado nesta esta época, já que é realmente uma honra ter uma tão grande oportunidade de Lhe mostrar quão fieis e firmes podemos permanecer a Seu serviço, e a firmeza com que nos agarramos a seus ensinamentos, pouco importando que os coloca em perigo ou os contradiz.

Pode ficar tranquilo, The Recusant não modifica sua posição com base no que as pessoas querem ouvir - o que nos tornaria melhores para Monsenhor Fellay e sua "Nova e Melhorada-Fraternidade San Pio X" [ou... São José"]. Não, o que importa é a mensagem, não o mensageiro.

O ponto principal do editorial do mês passado é que não podemos nos permitir sermos sentimentais a respeito de uma mera organização. Não sabemos quando e como poderemos nos encontrar deserdados de novo, porém ocorrerá mais dias menos dias e, portanto, nós deveríamos nos preparar para isso agora, ao menos psicologicamente se não materialmente também. A mensagem do editorial do mês passado, que repito agora, é que devemos procurar não nos apegarmos demais ao que é humano (a organização chamada FSSPX) sob o risco de o que é verdadeiramente mais valioso (a Fé católica completa e inalterada). Isso seria como tirar a prataria da família para melhor apreciar a caixa de madeira que a contém.

Nós não somos leias à FSSPX mas à Tradição! 


Anteriormente, quando as duas eram sinônimos, a distinção pôde ser esquecida momentaneamente. Mas o esquecemos por nossa conta e risco, e agora que a brecha se abriu entre as duas, chegou o momento de lembrar o que se supõe ser o ponto central deste combate espiritual e terreno.

Com demasiada frequência nos últimos tempos, eminentes da Fraternidade São Pio X tem tratado à Sociedade como um fim em si mesma. Me vem em mente Monsenhor Fellay – para fazer um exemplo - o qual, após uma cerimônia de ordenações, se vangloriou de quantos sacerdotes tem atualmente a Fraternidade. E, mais ou menos ao mesmo tempo, o site da Fraternidade na Alemanha apresentou um artigo com toda sorte de gráficos com o número de sacerdotes, seminaristas etc. comparando a FSSPX com outras ordens religiosas na Igreja (por exemplo, “A FSSPX é maior do que a Sociedade de Missões Estrangeiras de Paris mas menor que a dos Jesuítas etc.), o que revela uma mentalidade muito alarmante.

É esta mesma mentalidade que levou ao site da Fraternidade nos EUA a dizer que os leigos não têm direito de saber acerca dos assuntos internos da FSSPX, visto que a FSSPX é uma ordem religiosa à qual nós os leigos não pertencemos. Qualquer líder da Fraternidade que faz esta declaração, está admitindo implicitamente que eles veem à Fraternidade de forma não diferente do que o fazem os Jesuítas modernos, os Dominicanos ou a Congregação Beneditina Inglesa.

O Padre Pfeiffer acertou, como sempre, em cheio ao descrever o orgulho institucional da Fraternidade São Pio X como se fosse o burro no Domingo de Ramos, que, em um poema divertido de GK Chesterton, crê que a multidão de pessoas está estendendo as palmas e gritando "Hosana" para ele ("Se pelo menos pudesse tirar este peso incômodo de minhas costas!") Se há uma coisa pela qual a Fraternidade São Pio X não deveria estar orgulhosa é seu registro como organização humana - às vezes mal administrada e ineficiente, e nos melhores tempos sempre se teve a sensação como de algo "feito em casa". E porque possuiu, praticou e defendeu a Fé Católica completa e a Tradição, Deus a abençoou, apesar de suas debilidades humanas.

O que acontece agora é que o dirigentes estão abandonando o que importa (a defesa ao extremo da Tradição), devido a uma visão exultante da parte que não importa (a instituição humana). Prova disso pode ser vista na informalidade excessiva com que a pequena casa na Suíça trata a seus sacerdotes: "Declarações oficiais" "esclarecimentos", "comunicados de imprensa" etc. abundam, cada boletim oficial tem que passar pela censura, apenas ao DICI é permitido dizer algo [mais que algo, ultimamente; parece competir com o Osservatore Romano] etc. Desafiamos a qualquer um que mostre a mais diminuta prova de que tal comportamento oficioso, egocêntrico ou o orgulho administrativo estavam institucionalizados nos dias de Monsenhor Lefebvre ou na FSSPX dos anos 1980.

O novo seminário na Virginia, cuja construção já começou, é provavelmente o exemplo mais óbvio de seu orgulho institucional. Seu custo previsto é, quanto menos, de 25 milhões de dólares [fico pensando quantas capelas e centros de Missas novos poderiam ser construídos...], e está sendo construído do nada, no lado oposto dos EUA em relação a Winona. O site do seminário admite abertamente que gastaram dinheiro em "campanhasprofissionais de arrecadação de fundos", que incluem um vídeo promocional que deve ser visto para ser crido: mais de oito minutos de duração, e, ainda, sem uma menção sequer a Monsenhor Lefebvre, ao Concílio Vaticano II, à Nova Missa, à crise na Igreja, à Tradição e ao tradicionalismo – realmente, nada a distingue da Fraternidade São Pedro ou, até mesmo, de um seminário conciliar conservador. Apenas uma lenga-lenga sobre "espiritualidade e silêncio" etc. Quando Monsenhor Fellay esteve lá recentemente para a colocação da pedra fundamental, disse aos presentes que a razão para construir esse seminário gigante era que 200 bispos diocesanos lhe prometeram [ai, ai... como é ingênuo esse Monsenhor! Quando tudo estiver pronto e os bispos não cumprirem o que prometeram... o que dirá? Ah! Sim! Que foi enganado... Mais uma vez, Poliana?] que, quando a FSSPX estivesse regularizada por Roma, enviaram seus seminaristas para serem treinados pela FSSPX. É difícil saber se rimos ou choramos. Será possível que Monsenhor Fellay creia nisso? Quem são esses 200 bispos diocesanos, quais seus nomes, de quais dioceses? Si realmente fizeram esse compromisso, porque não o dizem publicamente? Ou, se for esse o caso, porque não os estão enviando para o seminário da Fraternidade São Pedro na América? Que encontre ou não um bom uso ao final, o novo seminário da FSSPX na Virginia será um monumento duradouro, literalmente em pedra, do orgulho e da loucura dos “tradicionalistas” que perderam seu caminho, porque puseram sua confiança nos homens e não em Deus.

Um aspecto final e muito mais infeliz do orgulho de nossa "instituição" é o número de incidentes escandalosos onde os sacerdotes da FSSPX se sentem justificados para negar a comunhão àqueles com quem não estão de acordo.

Já não é uma raridade única, os exemplos mais recentes vêm da Austrália, onde foi dito a um grupo de pessoas que lhe negariam a comunhão pelo "delito" de assistir a uma missa celebrada pelo padre Pfeiffer em sua viagem por aquele País, no final do mês de abril. Qual a justificativa para tal iniquidade? Bom, pelo menos em uma ocasião a razão alegada foi “desobediência”. É incrível que isso possa passar pela mente de um sacerdote que é desobediente, e cujo apostolado se funda na desobediência (justificável) ao ordinário local. E, ainda, pelo delito de "desobediência" à FSSPX, os fieis podem agora esperar consequências adversas. Mais uma vez, a instituição se converteu em um fim em si mesma, e a fé católica já não é primordial.

Sendo este o caso, a FSSPX como instituição já não no merece, em minha opinião [e na nossa também, e não é de hoje! E, para diferenciar as coisas, nos referimos a esta nova organização como Neo-FSSPX], nosso apoio. Quanto aos sacerdotes [da Neo-FSSPX] em si, certamente merecem o nosso apoio, mas eles merecem mais na realidade que os ajudemos a alcançar seu fim verdadeiro (isto é, ensinar a verdade, corrigir o erro, advertir o rebanho de perigo do compromisso). Por outro lado, o “apoio” permitirá ao sacerdote permanecer confortavelmente indeciso nesta hora de crise, ou fará com que ele deixe de tomar as decisões difíceis, em sendo assim esta é uma forma equivocada de apoio. Ele não lhe agradecerá no dia do Juízo.

E seu sacerdote local, estimado leitor? Está de acordo com Monsenhor Fellay [não, nosso sacerdote local continua fiel à Igreja Católica!] de que a missa nova foi promulgada “legitimamente”? Se não, como o sabe: ele o disse, e se não, porque não o disse? Que pensa ele fazer a respeito? Deseja permanecer indefinidamente em obediência ao homem cuja doutrina contradiz o que ele crê? Si ele não disse nada até agora sobre o assunto, e se não declarou nada publicamente de uma ou outra maneira, talvez ele queira explicar-lhe como pode continuar a merecer seu apoio quando ele evita fazer exatamente a coisa pela qual você o apoia? Não queremos sacerdotes que apenas estejam contra o Vaticano II e a nova missa em segredo. Não é suficiente! Deste tipo já há bastante nas dioceses, nas comunidades Ecclesia Dei, nos mosteiros. O que precisamos é de sacerdotes que estejam abertamente contra. Sacerdotes que condenem abertamente a nova missa como ilegítima, o novo Código de direito canônico como veneno e o “magistério” dos últimos 50 anos como irreconciliável com a Tradição. O que precisamos é de pastores que advirtam o rebanho sobre os perigos da nova forma de pensar de Menzingen e de sua nova direção. Estes são os que merecem nosso apoio. [para os que são "curtos" de entendimento, aqui se fala não só do apoio moral e das orações, como também e principalmente do apoio material: doações.]

Talvez este seja o momento adequado para lembrar qual é exatamente o problema, e por que aqueles de nós que queríamos ser os mais leais dos católicos tradicionalistas da Fraternidade São Pio X somos agora rotulados, pela mesma Fraternidade São Pio X, como orgulhos e rebeldes pecaminosos.

O problema não é com os revoltosos, rebeldes, descontentes, inúteis, sedevacantistas ocultos, sedevacantistas declarados, continentais X anglo-saxões, os choques de personalidade entre os leigos ou a "má influência" do Bispo Williamson.

O problema não é um "perigo de uma divisão", e, tampouco, é que Roma não tem sido franca ao tratar com Monsenhor Fellay. O problema sequer é “uma perda de consiança na autoridade (“em mim”), como disse Monsenhor Fellay há pouco tempo, embora seja verdade que a confiança na autoridade tenha sido perdida. O problema é o que causou a perda de confiança. Q o que a causou? Monsenhor Fellay e seus auxiliares se afastaram da Tradição. E como ele é o Superior geral, se não dissermos nada e não fizermos nada, estaríamos permitindo que nos apartem da Tradição para ingressar no Conciliarismo. É o mesmo velho  problema de termos que ser desobedientes para permanecermos na verdade [lembra de alguém? de algo?].

A crise na Igreja está refletida, em miniatura, pela crise na Fraternidade. Creio que estamos agora na etapa equivalente àquela por volta de 1971. A revolução é, por enquanto, um feito inegável e está firmemente e "inarredavelmente" arraigada, mas a opinião do campo de oposição está dividido sobre a questão de como responder. Há uns poucos sacerdotes resistindo abertamente à revolução, celebrando Missas "ilegais" em garagens, salões etc., pregando claramente em sermões intensos e viajando muitas milhas com zelo missionário.

Muitos fieis assistem a essas Missas quando têm, a oportunidade, apesar das ameaças que mencionam palavras como "desobediência", "cisma" etc. Muitos outros sacerdotes que são contra a revolução sequer consideram deixar sua capela (onde tem estado por muitos anos) para se juntar aos sacerdotes de “mau comportamento”.

As razões dadas para isso são as mais variadas, e, geralmente, "prudenciais", mas, em última instância, uma suspeita de motivos menos dignos de sua parte (apatia, temor por seu futuro, apego à comodidade material etc.) persiste. É claro que esses sacerdotes continuam rezando a Missa antiga, ainda creem e ensinam a mesma doutrina, simplesmente têm que ser um pouco cuidadosos de não criar-se problema com seu bispo, que se torna algo assim como um modernista.

As coisas não são tão fáceis e francas como quando foram ordenados; ultimamente, têm que ter cuidado com o que dizem.

Pois bem, querido leitor, nós sabemos como termina a historia, infelizmente. Os que se portam mal, os que têm má reputação, os que estão um pouco loucos e são desprezados por seus companheiros mais "respeitáveis" são, em última instância, os únicos a perseverar. Todos aqueles cuja posição é intermediária terão desaparecido dentro de uma geração, como os Sacerdotes Marianos ou os chamados "Church papists” na Inglaterra elisabetana. Eles desaprovaram os Jesuítas naquele tempo, cuja pregação clara, firme e "desobediente" e seus centros de Missas ilegais foi tudo o que restou. Os outros foram forçados a sucumbir, parafraseando a Monsenhor Lefebvre, pela lógica inevitável das coisas, e destruídos

Que não sejamos nós!
 
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Fonte: http://nonpossumus-vcr.blogspot.com.br/2013/05/que-no-seamos-nosotros.html.
Tradução: Giulia d'Amore di Ugento.
Não revisado pelo blog. Se encontrar algum erro de tradução e quiser nos ajudar, por gentileza escreva-nos, ficaremos gratos. 
Grifos do blog Non Possumus; comentários em azul, nossos. 

MAIO COM MARIA: Dia 24 - Particular clemência de Maria para com os pecadores


“Consentis, Senhor, que façamos descer fogo do céu e os consuma?” — assim perguntaram ao Mestre João e Tiago, quando os samaritanos se recusaram a receber Jesus Cristo e sua doutrina. Respondeu-lhes então o Salvador: Não sabeis de que espírito sois? (Lc 9, 55). Queria dizer: Sou de um espírito todo de clemência e doçura; para salvar e não para castigar os pecadores, vim do céu e vós quereis vê-los perdidos? Falais em fogo e castigo? Calai-vos e nisso não me faleis mais, porque não é esse meu espírito! Ora, sendo o espírito de Maria completamente semelhante ao de seu Filho, não podemos pôr em dúvida seu natural compassivo. De fato, é chamada Mãe de Misericórdia e foi a própria misericórdia de Deus que tão compassiva e clemente a fez para todos. Assim o revelou a própria Virgem a S. Brígida. Por isso representa-a S. João revestida do sol: Apareceu um grande sinal no céu; uma mulher vestida do sol (Ap 12, 1). Comentando o trecho, diz S. Bernardo à Virgem: Senhora, revestistes o Sol (Verbo Divino) da carne humana, mas ele vos revestiu também de seu poder e de sua misericórdia.


Nossa Rainha — continua o Santo — é sumamente compassiva e benigna; quando algum pecador se encomenda à sua misericórdia, ela não se põe a examinar-lhe os méritos, para ver se é digno de ser ouvido ou não, mas a todos atende e socorre. Eis a razão, conforme observa Hildeberto, por que de Maria se diz que é bela como a lua (Ct 6, 9). Assim como a lua ilumina e beneficia os objetos mais inferiores sobre a terra, também ilumina Maria e socorre os pecadores mais indignos. Embora a lua receba do sol toda a sua luz, leva menos tempo que ele para descrever seu curso. É-lhe suficiente um mês, ao passo que o sol gasta um ano a perfazer o seu giro. Isso motiva então as palavras de Eádmero ao afirmar que nossa salvação será mais rápida, se chamarmos por Maria, do que se chamarmos por Jesus. Pelo que Hugo de S. Vítor nos adverte que se os nossos pecados nos fazem ter medo de nos chegarmos para Deus, cuja Majestade infinita ultrajamos não devemos recear de recorrer a Maria; pois nada nela existe que inspire terror. É verdade que é santa, Imaculada, Rainha do mundo e Mãe de Deus. Mas é uma criatura e filha de Adão, como nós.

Em suma, conclui S. Bernardo, tudo o que pertence a Maria é cheio de graça e de piedade, porque, como Mãe de misericórdia, se fez tudo para todos; por sua imensa caridade tornou-se devedora dos justos e dos pecadores; para todos está aberto seu coração, para que possam receber de sua misericórdia. Se por um lado está o demônio sempre procurando a quem dar a morte, como no-lo atesta S. Pedro (l Pd 5, 8), de outro lado está buscando Maria almas a quem possa dar a vida e salvar, segundo afirma Bernardino de Busti.

Devemos, pois, saber que a eficácia e a expansão do patrocínio de Maria vão além das nossas noções, diz S. Germano. Por que, outrora, tão grande era o rigor de Deus para com os pecadores, quando agora, na Lei Nova, usa de tanta misericórdia com eles? Fá-lo por amor de Maria e em vista de seus merecimentos. Assim pergunta e assim responde Pelbarto. Há muito tempo teria já cessado de existir o mundo, assevera Fábio Fulgêncio, se não o tivesse Maria sustentado com suas preces. Podemos, entretanto, ir seguramente a Deus e dele esperar todos os bens, diz Arnoldo de Chartres, agora que temos o Filho como nosso medianeiro, junto ao Pai, e a Mãe como nossa medianeira junto ao Filho. Como poderia o Pai deixar desatendido ao Filho, quando este lhe mostra as chagas recebidas por amor aos pecadores? E como poderia o Filho desatender à Mãe, mostrando-lhe esta os seios que o sustentaram? Enérgicas e belas são as palavras de S. Pedro Crisólogo: A excelsa Virgem hospedou a Deus em seu ventre; em paga de tal hospitalidade dele exige a paz para o mundo, a salvação para os perdidos, a vida para os mortos.

Oh! exclama o Abade de Ceies, quantos que, dignos do inferno segundo a justiça divina, são salvos pela compaixão de Maria! Sim, porque ela é o tesouro de Deus, e a tesoureira de todas as graças; em suas mãos está por isso a nossa salvação. Por conseguinte recorramos sempre a essa grande Mãe de Misericórdia, firmes na esperança de nos salvarmos por sua intercessão. Pois não lhe chama Bernardino de Busti nossa salvação, nossa vida, nossa esperança, nosso conselho, nosso refúgio e nosso auxílio? Realmente, diz S. Antonino, é Maria aquele trono de graça ao qual nos cumpre confiadamente recorrer para obter a divina misericórdia e todos os auxílios que nos são necessários, conforme a exortação de S. Paulo: “Marchemos, pois, cheios de confiança para o trono de graça, a fim de obtermos misericórdia e alcançarmos a graça no socorro oportuno” (Hb 4, 16). Pelo que S. Catarina de Sena chamava a Maria de distribuidora da divina misericórdia.

Concluamos por conseguinte com a elegante e terna exclamação de S. Boaventura:  Ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria! Ó Maria, sois clemente para com os miseráveis, compassiva para com os que vos invocam, doce para com os que vos amam; sois clemente para com os penitentes, compassiva para com os justos, doce para com os perfeitos. Mostrai vossa clemência, em nos livrando dos castigos; vossa piedade, em nos dispensando as graças; vossa doçura, em nos dando a quem vos procura.

Exemplo

Na vida do Padre Antônio Colleli lemos o seguinte fato: Certa mulher mantinha relações ilícitas com dois senhores. Aconteceu que os ciúmes levaram um deles a matar seu rival. Disso sabendo, veio a pecadora confessar-se, profundamente assustada, e revelou que o assassinado lhe aparecera carregado de correntes, negro e rodeado de chamas, tendo na mão uma espada. Brandindo-a, tentara matá-la e ela horrorizada lhe perguntara: Por que me queres matar? Que te fiz eu? Cheio de cólera, lhe respondera o condenado: Como? Ainda mo perguntas, mulher criminosa? Es a culpada de ter eu perdido a Deus e o paraíso! A infeliz invocou então o nome de Maria e a horrível figura desapareceu.

Oração
Ó Mãe misericordiosa, sois tão clemente e tendes imenso desejo de proteger os miseráveis e atender-lhes os pedidos! Venho, por isso, a vós neste dia, eu que sou o mais indigno de todos os homens e imploro vosso auxílio. Atendei aos meus rogos! Peçam-vos outros, se quiserem, saúde do corpo, prosperidade e grandeza 'da terra. Quanto a mim, venho pedir-vos, Senhora, justamente aquilo que desejais de mim, aquilo que é mais conforme e mais grato ao vosso Santíssimo Coração. Sois tão humilde, impetrai-me, pois, a humildade e o amor dos desprezos. Fostes tão paciente nos trabalhos desta vida, impetrai-me a paciência na adversidade; fostes tão cheia de amor de Deus, impetrai-me o dom do santo e puro amor; fostes toda a caridade para com o próximo, impetrai-me a caridade para com todos, particularmente para com o inimigo; fostes totalmente unida á divina vontade, impetrai-me a total conformidade a todas as disposições de Deus a meu respeito. Sois, em suma, a mais santa de todas as criaturas, ó Maria, tornai-me santo. Amor não vos falta; podeis tudo e que reis alcançar-me todas as graças. A única coisa que me pode impedir de receber vossos favores é, ou a negligência em recorrer a vós, ou a falta de confiança em vossa intercessão. Impetrai-me, pois, vós mesma a constância em invocar-vos e a confiança em vosso poder. De vós espero essas duas graças supremas; de vós as imploro e conto recebê-las confiadamente, ó Maria, minha Mãe, minha esperança, meu amor, minha vida, meu refúgio, minha força e minha consolação. Amém.

(Glórias de Maria – Santo Afonso Maria de Ligório)

*Grifos meus.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Sobre as condições para o católico apoiar um partido político


SPES

Tem-se-nos perguntado muito ultimamente quais as condições para que o católico possa apoiar um partido político. Parece-nos que sejam as seguintes:
1) Seu programa não deve ter nem a menor sombra de comunismo ou socialismo, mas tampouco de liberalismo: nenhuma defesa das ímpias liberdades impostas pela Revolução Francesa, como a de expressão pura e simples, ou seja, indiferente liberdade tanto para o certo e o bem como para o erro e o mal – o que já é em si e por si liberdade para o mal. Já não seria liberal a seguinte formulação: liberdade de expressão para a Verdade.
2) Resta porém definir o que é a Verdade. Podemo-la ver por dois ângulos, que de modo algum podem contradizer-se: a Verdade enquanto sobrenatural e a Verdade enquanto natural. E não podem contradizer-se porque ambos os aspectos têm por fonte a Deus mesmo, que justamente por ser Deus não pode de modo algum contradizer-se.
3) Pois bem, o ideal é que um partido político se ordene integralmente tanto à Lei Divina Positiva (encarnada na Igreja e representada por ela) quanto à Lei Natural (perfeitamente captável por cada um de nós, mediante a chamada sindérese, e que é como um selo da Lei Eterna impresso na alma humana). A um partido assim (como, por exemplo, ao liderado pelo Presidente García Moreno no Equador, no século XIX) o apoio do católico há ser irrestrito – trata-se então de uma obrigação.
4) Pode haver porém partidos – como a antiga Action Française, liderada por Charles Maurras – que se oponham firmemente ao liberalismo, defendam a Lei Natural e, embora não se ordenem estritamente à Lei Divina Positiva, ao menos defendam grandemente a Igreja. A partidos assim, naturalmente, o católico pode apoiar mais ou menos integralmente, estando porém obrigado a deixar claro que tudo no mundo, incluídos estes mesmos partidos, deveriam ordenar-se de todo a Cristo Rei.
5) Não se confunda, todavia, tudo quanto se disse até agora com o voto (não apoio) a este ou aquele candidato menos indigno, ou seja, que possa beneficiar de alguma maneira a Lei Natural e/ou a Igreja, em contraposição a partidos e/ou candidatos que as ofendam grande e gravemente. Foi o que disse São Pio X aos católicos italianos. Mas, insista-se, não se trata de apoio.
6) No Brasil, por exemplo, nas últimas eleições presidenciais, havia algum candidato ou partido que se enquadrasse no item 3 ou no item 4 acima? De modo algum. Todos estavam igualmente alinhados com a chamada “agenda global”, nome eufemístico para designar o que governa hoje o mundo e que visa (ainda que inconscientemente) a nada menos que preparar a vinda do Anticristo: o amálgama de liberalismo e de comunismo em torno do apocalíptico “É Proibido Proibir” (do Maio de 68 francês). Nas eleições em questão, portanto, estávamos convictos de que tão só o voto nulo era conveniente e condizentemente católico.           

MAIO COM MARIA: Dia 23 - Maria é toda clemência e bondade



O autor dos Discursos sobre a Salve Rainha diz que Maria é a terra prometida pelo Senhor, na qual manava leite e mel. Quer assim mostrar-nos de modo bem intuitivo a grande bondade dessa Rainha para conosco, miseráveis e deserdados. S. João acrescenta que Maria tem entranhas de tanta misericórdia, que merece ser chamada não só misericordiosa, mas a própria misericórdia. Por causa dos infelizes foi Maria constituída Mãe de Deus e colocada para lhes dispensar misericórdia, ensina-nos S. Boaventura. Considera em seguida a imensa solicitude que ela tem para todos os miseráveis, bem como a sua grande bondade que acima de tudo deseja socorrer aos necessitados. Essa consideração leva o Santo a dizer: Quando olho para vós, ó Maria, parece-me não ver mais a divina justiça, mas a divina misericórdia somente, da qual estais cheia. Em suma, tanta lhe é a piedade que, como diz o Abade Guerrico, seu amoroso coração não pode cessar um momento de ser misericordioso conosco.


E que outra coisa pode jorrar de uma fonte de piedade, senão piedade? pergunta S. Bernardo. Por isso, Maria foi chamada “uma bela oliveira no campo” (Eclo 24, 19). Como da oliveira só sai o óleo, símbolo da misericórdia, também só graças e misericórdias destilam as mãos de Maria.

Temos por conseguinte, muita razão, para, com Luís da Ponte, chamá-la Mãe do óleo da misericórdia. Recorrendo, portanto, a essa Mãe para pedir-lhe o óleo da sua piedade, não podemos temer que no-lo recuse, como o negaram as virgens prudentes às loucas, dizendo-lhes: Para que não suceda faltar-nos ele a nós e a vós. Não; porque ela é muito rica desse óleo de piedade, previne Conrado de Saxônia. Eis a razão por que a Igreja lhe chama não só de prudente, mas de prudentíssima. Por aí compreendamos, diz Hugo de S. Vítor, que Maria é tão cheia de graça e de misericórdia, que tem como prover a todos, sem nunca ficar desprevenida.

Mas pergunto eu: Por que se diz que esta formosa oliveira está no meio do campo, e não antes no meio de um jardim bem murado? Ouçamos a resposta do Cardeal Hugo: Para que possam facilmente contemplá-la e alcançá-la todos os necessitados. S. Antonino confirma esse belo pensamento ao dizer: Podem todos colher frutos de uma oliveira que está em campo aberto; e assim podem também todos recorrer a Maria, pecadores e justos, para obterem misericórdia. Quantos castigos, continua ele, quantas sentenças e condenações, tem a Santíssima Virgem sabido revogar em benefício dos pecadores que a ela recorrem! E que mais seguro refúgio, pergunta o piedoso Tomás de Kempis, podemos encontrar que não o compassivo coração de Maria? Aí o pobre acha abrigo, remédio o enfermo, alívio o aflito, consolo o atormentado e socorro o abandonado.

Pobres de nós, sem essa Mãe de Misericórdia, tão atenta e tão prestadia em socorrer nossas misérias! Onde não há mulher — diz o Espírito Santo — geme e padece o enfermo (Eclo 36, 27). A mulher é justamente Maria, conforme atesta S. João Damasceno. Sem ela só há sofrimentos para o enfermo. Realmente, querendo Deus que todas as graças se dispensem pelos rogos de Maria, onde eles faltam não haverá esperança de misericórdia. Tal foi a revelação que o próprio Senhor fez a S. Brígida.

Tememos talvez que Maria não veja ou não queira aliviar nossas misérias? Não: melhor do que nós, delas tem ciência e compaixão. Cita-me um Santo que como Maria tanto se compadeça de nossas misérias! ordena S. Antonino. Onde vê misérias, não lhe sofre o coração deixá-las sem alívio de sua grande misericórdia. Essa sentença de Ricardo de S. Vítor é confirmada por Mendoza: Ó Virgem bendita, dispensais às mãos cheias vossa misericórdia, por toda parte onde descobris necessidades. E nossa boa Mãe nunca se cansa nesse ofício de misericórdia, como ela mesma o confessa: E não deixarei de ser em toda a sucessão das idades, e exercitei diante dele o meu ministério na morada santa (Eclo 24, 14). O que assim comenta o Cardeal Hugo: Não deixarei até ao fim do mundo de socorrer as misérias dos homens, e de rogar pelos pecadores, para que sejam salvos da condenação eterna.

Do imperador Tito conta Suetônio que tinha muito prazer em conceder as graças que se lhe pediam. No dia em que não tinha ocasião de conceder alguma, lastimava- se, dizendo: Hoje foi um dia perdido para mim. Tito assim falava, provavelmente, mais por vaidade ou por ambição de estima que por verdadeira caridade. Nossa Rainha, porém, se possível lhe fosse passar um dia sem dispensar algum favor, julgá-lo-ia perdido, tão grande é sua caridade, o seu desejo de espalhar benefícios. E até afirma o B. Bernardino de Busti, ela tem mais ânsia de nos fazer favores, do que nós temos desejo de os receber. Por isso, continua o sobredito autor, sempre que a invocamos, a encontramos com as mãos cheias de misericórdia e liberalidade .

Figura de Maria foi Rebeca que, ao pedir-lhe água o servo de Abraão, respondeu que daria de beber não só a ele, mas também aos seus camelos (Gn 24, 19). S. Bernardo, ponderando isso, volta-se para Maria e lhe diz: Ó Senhora, da plenitude do vosso cântaro dai de beber não só ao servo de Abraão, como aos seus camelos também. Com outras palavras quer o Santo dizer: Ó Senhora, sois mais compassiva e liberal que Rebeca; não vos contentais em dispensar as graças da vossa imensa misericórdia aos servos de Abraão, figura dos que vos servem fielmente, mas quereis ainda concedê-las aos camelos que representam os pecadores. Como Rebeca, dá Maria mais do que se lhe pede. Nisso de liberalidade, diz Ricardo de S. Lourenço, tem a Mãe semelhança com o Filho, que, na frase de S. Paulo, “é pródigo de graças para todos os que o invocam” (Rm 10, 12). Como acertou Guilherme de Paris ao exclamar: Senhora, rogai por mim, porque vós pedireis com mais devoção do que eu, e me alcançareis assim de Deus graças maiores do que quantas eu mesmo peça!

(Glórias de Maria – Santo Afonso Maria de Ligório)

*Grifos meus.

terça-feira, 21 de maio de 2013

MAIO COM MARIA: Dia 22 - A devoção a Maria é um penhor da bem-aventurança



Desde que não lhe ponhamos obstáculos, alcança-nos essa divina Mãe o paraíso, pela eficácia de suas súplicas e de seu patrocínio. Aquele, por conseguinte, que a serve e conta com sua intercessão, está seguro do paraíso, como se já ali estivesse. O servir e ser da sua família, diz Ricardo de S. Lourenço, é das honras a maior; pois, servi-la é reinar no céu, é viver sob suas ordens, é mais que reinar. Pelo contrário, prossegue ele, aqueles que não servem a Maria, não se salvarão; porquanto, destituídos do auxílio da poderosa Mãe, ficam também privados do socorro do Filho e de toda a corte celeste.


Sempre seja, pois, louvada a infinita bondade de nosso Deus, exclama S. Bernardo, que foi servido de constituir Maria nossa advogada no céu, para que ela como Mãe do Juiz e Mãe de Misericórdia trate do grande problema da nossa salvação. Jacó, monge e célebre doutor entre os gregos, diz que Deus colocou Maria como ponte de salvação sobre a qual nos faz atravessar as ondas deste mundo e assim alcançaremos o tranqüilo porto do céu. Daí então a exortação de S. Boaventura*: Ouvi, ó vós, desejosos do reino de Deus: honrai e servi a Virgem Maria, e encontrareis a vida eterna.
Não devem desconfiar de conseguir o reino do céu nem ainda aqueles que só têm merecido o inferno, se se resolverem a servir com fidelidade a esta Rainha. Quantos pecadores — exclama S. Germano — buscaram a Deus por vosso intermédio, ó Maria, e foram salvos! Ricardo de S. Lourenço chama a atenção sobre o texto do Apocalipse (12, 1), no qual se diz estar Maria coroada de estrelas, enquanto que nos Sagrados Cânticos ela aparece rodeada de feras, de leões e de leopardos (Ct 4, 8). Como pode ser isso? É que essas feras — responde o comentador — são os pecadores que pelo favor e pela intercessão de Maria se tornam estrelas do paraíso. Formam assim uma coroa que mais convém para a fronte dessa Rainha de Misericórdia, do que todas as estrelas materiais do céu. Rezando um dia na novena da Assunção, a serva de Deus Sóror Serafina Capri (como se lê na sua biografia), pediu à Santíssima Virgem a conversão de mil pecadores. Mas logo depois temeu fosse talvez muito ousado o seu pedido. Aparece- lhe a Virgem e repreende-a de seu vão receio com as palavras: Por que duvidas? Por acaso não tenho tanto poder para alcançar de meu Filho a salvação de mil pecadores? Pois olha que vou obtê-la agora mesmo. E levada em espírito ao céu por Maria, viu Serafina inúmeras almas de pecadores que tinham merecido o inferno, mas que pela intercessão da Virgem estavam salvos e já gozavam da eterna bem-aventurança.

É certo que nesta vida ninguém pode ter certeza de sua salvação. “Contudo, não sabe o homem se é digno de amor ou de ódio, mas tudo se reserva incerto para o futuro" (Eclo 9, 1). Entretanto, à pergunta de Davi: “Quem, Senhor, habitará em teu tabernáculo?”, responde S. Boaventura*: Pecadores, sigamos as pegadas de Maria, prostremo-nos a seus pés, e não a deixemos até que nos abençoe, porque sua bênção nos será qual penhor do paraíso. Basta, Senhora, escreve Eádmero, que vós queirais salvar-nos, que não poderemos deixar de ser salvos. Garante S. Antonio que as almas patrocinadas por Maria necessariamente se salvam.

Com toda razão, diz S. Ildefonso, profetizou a Santíssima Virgem que todas as nações a chamariam bem- aventurada, porque é por meio de Maria que os eleitos obtêm a eterna bem-aventurança. Sois, ó grande Mãe, princípio, meio e fim de nossa felicidade, exclama S. Metódio. Princípio, porque Maria nos alcança o perdão dos pecados; meio, porque nos obtém a perseverança; fim, porque ela finalmente nos consegue o paraíso. Por vós, prossegue S. Bernardo, foi aberto o céu, foi despojado o inferno, foi restaurado o paraíso: por vós, em suma, foi dada a vida eterna a tantos miseráveis que só a eterna morte mereciam.

Mas, sobretudo, a bela promessa de Maria deve animar-nos a esperar com segurança o paraíso. A todos os seus servos especialmente aos que buscam fazê-la conhecida e amada de todos, por palavras e exemplos fez a seguinte promessa: “Os que trabalham por mim não pecarão; aqueles que me esclarecem terão a vida eterna’ ’ (Eclo 24, 30). Ditosos, pois, aqueles, conclui S. Boaventura*, que adquirem o favor de Maria; estes desde logo serão conhecidos dos bem-aventurados, por seus companheiros; e quem tiver o caráter de servo de Maria, será registrado no livro da vida. De que serve, pois, inquietarmo- nos com as sentenças das escolas sobre se a predestinação para a glória é antes ou depois da previsão dos merecimentos? Se estamos ou não inscritos no livro da vida? Se somos verdadeiros servos de Maria e estamos sob o seu patrocínio, seremos então certamente do número dos eleitos. Pois, conforme S. João Damasceno, a devoção a essa Mãe, Deus concede-a somente àqueles a quem quer salvar. Tal sentença concorda com o que diz o Senhor por boca de S. João: Aquele que vencer... escreverei sobre ele o nome de meu Deus e o nome da cidade de meu Deus (Ap 3, 12). Quem houver de vencer e salvar-se trará escrito no coração o nome da cidade de Deus. Mas quem é essa cidade de Deus senão Maria? A ela refere S. Gregório as palavras do Salmo: Coisas gloriosas se têm dito de ti, cidade de Deus (86, 3).
Bem podemos, por conseguinte, dizer com S. Paulo: Quem tem este sinal, Deus o reconhece por seu (2 Tm 2, 19). Que por isso a devoção para com a Mãe de Deus é indício certíssimo de salvação, afírma-o Pelbarto. O Beato Alano de Rupe, falando da Ave-Maria, disse: Quem honra freqüentemente a Virgem com esta angélica saudação tem um sinal muito grande de predestinação. E o mesmo diz da perseverança na recitação cotidiana do rosário. Além disso, conforme Nieremberg, os servos de Maria não só na terra são mais privilegiados e favorecidos, mas também no céu serão mais distintamente honrados. Aí terão uma veste principesca pela qual serão conhecidos como familiares da Rainha do céu, por pessoal da corte, segundo o dito dos Provérbios: Porque todos os seus domésticos trazem vestidos forrados (31, 21).

Um dia viu S. Madalena de Pazzi numa visão uma barquinha no meio do mar. Nela estavam refugiados todos os devotos de Maria, que, fazendo ofício de piloto, seguramente os conduzia ao porto. Compreendeu logo a Santa que quantos no meio dos perigos desta vida vivem sob a proteção de Maria, todos são preservados do naufrágio do pecado e da condenação; porque Maria seguramente os guia ao porto do paraíso. Tratemos, pois, de entrar nessa bendita nau que é a proteção de Maria; aí fiquemos na certeza da eterna bem-aventurança, como a Igreja canta: Santa Mãe de Deus, todos aqueles que hão de participar dos gozos eternos habitam em vós, vivendo sob a vossa proteção.
Exemplo


Conta-se nas Crônicas Franciscanas que Frei Leão viu uma vez em visão duas escadas, uma branca e vermelha a outra. Sobre a última estava Jesus Cristo e sobre a primeira estava sua Mãe Santíssima. Reparou como alguns tentavam subir pela escada vermelha. Mas caíam logo depois de subirem alguns degraus; tornavam a subir e outra vez caíam. Foram avisados de que deviam subir pela escada branca, e por essa os viu subir felizmente, porquanto a Santíssima Virgem lhes dava a mão, e assim chegavam seguros ao paraíso.

Nota — Essa visão é como um comentário para as palavras que Leão XIII e Bento XV haviam de escrever: “Como só pelo Filho nós chegamos ao Pai, assim ao Filho ninguém chega senão por meio de sua Mãe” (Nota do tradutor).

Oração
Ó Rainha do paraíso, Mãe do santo amor, sois entre todas as criaturas a mais amável, a mais amada por Deus e aquela que mais o ama. Consenti que também vos ame um pecador, que é o mais ingrato e miserável dos que vivem na terra. Por vosso intermédio, vejo-me livre do inferno e sem mérito algum de tal modo cumulado de benefícios por vós, que agora me sinto todo enamorado de vós.
Quereria, se pudesse, fazer saber a todos quantos vos não conhecem, quão digna sois de ser amada, para que todos vos conhecessem e amassem. Quereria também morrer por vosso amor, em defesa de vossa virgindade, de  vossa dignidade de Mãe de Deus, de vossa Imaculada Conceição, se fosse preciso dar a vida para defender essas vossas sublimes prerrogativas.

Ah! Mãe diletíssima, aceitai o meu afeto e não permitais que um vosso servo, que vos ama, venha a ser inimigo de vosso Deus, a quem tanto amais. Ai de mim! que tal já fui, quando ofendi a meu Senhor. Mas então, ó Maria, eu não vos amava, nem buscava vosso amor. Agora, porém, nada mais desejo, depois da graça de Deus, que amar a minha Rainha e ser honrado com o seu amor. Minhas culpas passadas não me fazem perder a confiança, pois sei que vos dignais amar, é benigníssima e gratíssima Senhora, até os mais miseráveis pecadores que vos amam, e sei também que por ninguém vos deixais vencer em amor.

Ah! Rainha amabilíssima, quero ir amar-vos no céu. Aí, prostrado a vossos pés, melhor conhecerei como sois amável e quanto tendes feito para minha eterna bem- aventurança. Por isso então muito mais vos ei de amar, sem receio de deixar de o fazer algum dia. Ó Maria, tenho a esperança de salvar-me por vosso auxílio. Rogai a Jesus por mim. Nada mais vos peço. A vós compete salvar-me: sois minha esperança. Quero, portanto cantar sempre: Ó Maria, esperança minha, por vós verei a Deus um dia.


(Glórias de Maria – Santo Afonso Maria de Ligório)

*Grifos meus.