sábado, 30 de novembro de 2013

Caridade

Antologia de São João Crisóstomo


Caridade



Se a simples circunstância de serem de uma mesma cidade é suficiente para que muitos se façam amigos, como não terá de ser o amor entre nós, que temos a mesma casa, a mesma mesa, o mesmo caminho, a mesma porta, idêntica vida, idêntica cabeça, o mesmo pastor e rei e mestre e juiz e criador e Pai? (Homilias sobre São Mateus, 32, 7)

Procuremos aquelas virtudes que, além de nos darem a salvação, aproveitam principalmente ao próximo. [...] Nas coisas terrenas, ninguém vive para si mesmo. O artesão, o soldado, o lavrador, o comerciante, todos sem exceção contribuem para o bem comum e para o proveito do próximo. Por maioria de razão nas coisas espirituais, porque isto, acima de tudo, é que é viver. Aquele que vive só para si, e despreza os outros, é um ser inútil, não é um homem, não pertence à nossa linhagem.

Também nós seremos chamados a prestar contas dos mandamentos que nos foram dados, e, por mais que façamos, não teremos com que pagar. Por isso Deus nos deu um caminho chão e fácil para pagar, um meio simples de saldar toda a nossa divida: não guardar nunca rancor ao nosso próximo. (Homilias sobre São Mateus, 61, 3)

Nada nos assemelha tanto a Deus como o estarmos sempre dispostos a perdoar. (Homilias sobre São Mateus, 19, 3)

Deus a ninguém aborrece e rejeita tanto como ao homem que se lembra da injúria, ao coração endurecido, ao ânimo que conserva o ressentimento. (Homilia sobre a traição de Judas, 2, 6)

Quem é humilde é útil a si e aos outros. (Homilias sobre os Atos dos Apóstolos, 6).

Fonte: http://www.ecclesia.com.br/biblioteca/pais_da_igreja/s_joao_crisostomo_vida_e_obra.html

http://farfalline.blogspot.com.br/

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Sacerdotes da Diocese de Itabira - Cel. Fabriciano participaram de evento apóstata.

Vejam duas imagens de um evento chamado "Caminhada da Diversidade Religiosa" que aconteceu em Ipatinga no último dia 20. O evento celebrou o "Dia da consciência negra" e suplicou por tolerância e liberdade religiosa
Destaque negativo para a presença de três sacerdotes da Diocese de Itabira - Cel. Fabriciano. 





"Assim, Veneráveis Irmãos, é clara a razão pela qual esta Sé Apostólica nunca permitiu aos seus estarem presentes às reuniões de acatólicos por quanto não é lícito promover a união dos cristãos de outro modo senão promovendo o retorno dos dissidentes à única verdadeira Igreja de Cristo, dado que outrora, infelizmente, eles se apartaram dela." ( Papa Pio XI) 

"MALDITOS os cristãos que suportam sem indignação que seu adorável SALVADOR seja posto lado a lado com Buda e Maoméem não sei que panteão de falsos deuses" (Drama do Fim dos Tempos - Pe. Emmanuel)

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Da III Quarant'ore - Mosteiro da Santa Cruz - Nova Friburgo/RJ - Ou o Santíssimo Sacramento ou a morte!


Que venha cada vez mais o reino da Eucaristia!

"O grande mal de nossa época é que não vamos a Jesus Cristo como a seu Salvador e a seu Deus. Abandona-se o único fundamento, a única fé, a única graça da salvação... Então o que fazer? Retornar à fonte da vida, mas não ao Jesus histórico ou ao Jesus glorificado no céu mas sim ao Jesus que está na Eucaristia. Temos que fazê-lo sair de seu esconderijo para que possa de novo colocar-se à cabeça da sociedade cristã... Que venha cada vez mais o reino da Eucaristia: Adveniat regnum tuum!"
São Pedro Julião Eymard



O tema destas quarenta horas foi em atenção 
as mensagens de Nossa Senhora em Fátima.



Abaixo a procissão feita por alguns fiéis às 3h da manhã.





Senhor Jesus, nós cremos firmemente e confessamos sem medo e sem temor, na Hóstia Santa vós estais presente, sois nosso Deus, nosso Redentor!








Ou a Eucaristia ou a morte!

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Maldito respeito humano.



Fonte: Pales Ideas


Não há nada, meus irmãos, de mais glorioso e de mais honrável para um cristão do que carregar o nome sublime de filho de Deus, de irmão de Jesus Cristo. Da mesma forma, não há nada de mais infame do que ter vergonha de manifestar isso todas as vezes que surge a ocasião. Não, meus irmãos, não nos admiremos ao ver os hipócritas demonstrarem o quanto podem um exterior de piedade para atrair sobre si a estima e os louvores do homem, enquanto que seus pobres corações são devorados pelo pecado mais infame. Estes cegos gostariam de gozar das honras que estão inseparáveis da virtude, sem ter o trabalho de praticá-las. Além do mais, não nos admiremos ainda menos ao ver bons cristãos esconder o tanto quanto podem suas boas obras aos olhos do mundo, temendo que a glória inútil se insinue em seu coração e que os vãos aplausos dos homens lhes façam perder o mérito e a recompensa delas. Entretanto, meus irmãos, onde encontraremos uma covardia mais criminosa e uma abominação mais detestável que, professando crer em Jesus Cristo..., na primeira ocasião violamos as promessas que lhe fizemos sobre as fontes sagradas do batismo? Ah! infelizmente, o que nos tornamos? Quem é Aquele que renegamos? Aí de mim!, abandonamos nosso Deus, nosso Salvador, para nos dispor entre os escravos do demônio, que nos engana e que busca apenas nossa perda e nossa infelicidade eterna. Ó! maldito respeito humano! Como tu arrastas almas para o inferno!...

[...] Com efeito, em que acabou toda a fúria dos perseguidores da Igreja, dos Neros, dos Maximianos, dos Dioclecianos, e de tantos outros que acreditaram que, pela força de suas armas, eles conseguiriam fazê-la desaparecer da terra. Ocorreu totalmente o contrário, o sangue de tantos mártires serviu, como diz Tertuliano, apenas para fazer florescer a religião mais do que nunca, e seu sangue parecia uma semente que produzia o cêntuplo. Infelizmente! que lhes fizestes esta bela e santa religião para eles a perseguirem tanto, visto que somente ela pode tornar o homem feliz sobre a terra? Infeliz deles! Quantas lágrimas e quantos gritos eles lançam agora nos infernos, aonde eles reconheceram tão claramente que esta religião, contra a qual eles se lançaram, tê-los-ia conduzido ao céu. Entretanto, lamentos inúteis e supérfluos!


Vejam ainda estes outros ímpios que fizeram tudo o que podiam para destruir nossa santa religião por seus escritos, tais como Voltaire, Jean-Jacques Rousseau, Diderot, d'Alembert, Volney e tantos outros, que passaram suas vidas apenas a vomitar por seus escritos tudo o que o demônio podia lhes inspirar. Aí deles! Eles fizeram muito mal, é verdade; eles perderam almas, arrastaram muitas delas com eles para os infernos; mas eles não puderam destruir a religião como eles acreditavam; eles se chocaram contra esta pedra sobra a qual Jesus Cristo edificou sua Igreja e que deverá durar até o fim do mundo. Onde estão agora estes pobres ímpios? Infelizmente!, no inferno, aonde eles choram sua desgraça e a de todos aqueles que eles arrastaram com eles. Não falemos nada ainda, meus irmãos, destes últimos ímpios, que, sem se mostrar abertamente como inimigos da religião, visto que eles praticam ainda alguns pontos exteriores dela, mas que, apesar disso, vocês ouvem de tempos em tempos fazerem pequenas chacotas sobre a virtude ou a piedade daqueles que eles não têm a coragem de imitar. Digam-me, meu amigo, que lhe fez esta religião que você recebeu de seus ancestrais, que a praticaram tão fielmente diante de seus olhos, que lhe disseram tantas vezes que somente ela poderia gerar a felicidade do homem sobre a terra, e que, a abandonando, poderíamos ser somente como desgraçados? E aonde você pensa, meu amigo, que sua pequena impiedade o conduzirá? Infelizmente!, meu amigo, para o inferno, para fazer você chorar tua cegueira.

Não falemos nada ainda destes cristãos que são cristãos apenas de nome, que cumprem seu dever de cristãos de um modo tão miserável que eles lhes fariam morrer de compaixão. Vejamos um deles, durante sua oração feita com aborrecimento, dissipação, desrespeito. Vejamo-los na igreja, sem devoção; o ofício começa sempre mais cedo, e acaba sempre tarde demais; o padre ainda não desceu do altar, e eles já estão do lado de fora. Quanto à frequência aos sacramentos, não temos que falar sobre isso: se eles se aproximam deles por vezes, é com certa indiferença que anuncia que eles não conhecem de forma alguma o que eles estão fazendo. Tudo o que tem relação com o serviço de Deus é feito com um desgosto assustador. Meu Deus! Quantas almas perdidas para sempre! Ó meu Deus! Como o número daqueles que entrarão no reino dos céus é pequeno, visto que há tão poucos que fazem o que devem para merecê-lo. 

Entretanto, vocês me dirão agora: Quem são, portanto, aqueles que se tornam culpáveis de respeito humano? Meus irmãos, escutem-me um instante, e ireis saber. Inicialmente, dir-lhes-ei com São Bernardo, que de qualquer lado que consideramos o respeito humano, que é a vergonha de cumprir seus deveres de religião por causa do mundo, todos nos  mostram o desprezo e a cegueira. Digo, meus irmãos, que a vergonha de fazer o bem, o medo de ser desprezado ou de ser repreendido por alguns ímpios infelizes, ou alguns ignorantes, é um desprezo terrível que fazemos da presença do bom Deus, diante do qual estamos e que poderia no mesmo instante nos lançar no inferno. Por que é, meus irmãos, que estes maus cristãos ficam bravos com vocês e fazem de vossa devoção algo ridículo? Infelizmente! Meus irmãos, eis a verdadeira razão: é porque não tendo a força de fazer o que vocês fazem, vocês incitam o remorso de suas consciências; entretanto, estejam certos de que no coração, eles não vos desprezam, ao contrário, eles vos estimam muito. Quando eles precisam de um bom conselho, ou de pedir uma graça junto do bom Deus, não é àqueles que agem como eles que eles irão recorrer, mas àqueles que eles repreenderam, ao menos em palavras. Você tem vergonha, meu amigo, de servir ao bom Deus temendo ser desprezado? Contudo, meu amigo, olhe então Aquele que morreu sobre esta cruz, pergunte-lhe então se ele teve vergonha de ser desprezado, e de morrer do modo mais vergonhoso sobre esta cruz infame. Ah! Como somos ingratos com Deus... Ó, meu Deus! como o homem é cego e desprezível ao temer um miserável o que dirão disso, e não temer ofender um Deus tão bom. Em segundo lugar: digo que o respeito humano nos faz desprezar todas as graças que o bom Deus nos mereceu por sua morte e sua paixão. Sim, meus irmãos, pelo respeito humano, aniquilamos todas as graças que o bom Deus nos tinha destinado para nos salvar. Ó! maldito respeito humano, como arrastas almas para o inferno! Em terceiro lugar: digo que o respeito humano contém a cegueira mais desprezível. Infelizmente! não prestamos atenção ao que perdemos. Ah! meus irmãos, que infelicidade para nós, nós perdemos nosso Deus, que ninguém nunca poderá substituir. Nós perdemos o céu com todos os seus bens e seus prazeres! Mas há outra desgraça, é que tomamos o demônio como nosso pai, e o inferno com todos os seus tormentos como nossa herança e nossa recompensa. Trocamos nossas doçuras e nossas alegrias eternas por sofrimentos e lágrimas...

Meu Deus, ainda podemos continuar a pensar e viver como escravos do mundo?


Sermons du vénérable serviteur de Dieus, Jean-Baptiste-Marie Vianney, curé d'Ars. Tome Ie, Librarie Victor Lecoffre, Paris, 1883.


Fonte: http://catolicosribeirao.blogspot.com.br/2013/07/maldito-respeito-humano.html

terça-feira, 12 de novembro de 2013

MONSEÑOR WILLIAMSON EN CHIHUAHUA, MÉJICO

NON POSSUMUS

Los fieles de Chihuahua han recibido con gran alegría a Monseñor Williamson. Es un gran honor recibir al único Obispo que sigue en la verdadera lucha Católica, Mariana y Contrarrevolucionaria. Dios en su misericordia no nos ha dejado solos. Siempre ha suscitado a un hombre que apaciente al rebaño en tiempos de apostasía. Contamos con un Obispo que con heroísmo, ha obedecido a Dios antes que a los hombres, que no temió, a ejemplo de Monseñor Lefebvre, las persecuciones por hablar con la Verdad.

Invitamos a todos nuestros lectores que quieran hablar con Monseñor, comunicarse con los Padres de la Resistencia. 

FOTOS DE LA MISA DE MONSEÑOR WILLIAMSON EN CHIHUAHUA



  
¡MUCHAS GRACIAS MONSEÑOR!

¡VIVA CRISTO REY! ¡VIVA LA VIRGEN DE GUADALUPE!

REFLEXÃO: A DIREÇÃO DA ALMA

Fonte: Pales Ideas


A DIREÇÃO DA ALMA



(...)

IV

Ora, para conservar em ti este espírito de temor, de dor e de desejo, exerce-te externamente numa perfeita modéstia, justiça e piedade, afim de que, segundo escreve o Apóstolo,"renunciando à impiedade e às paixões mundanas, vivas sóbria, justa e piedosamente neste século" (Tito, 2, 12).

1. - Exerce-te numa perfeita modéstia para que, segundo a doutrina do Apóstolo, "a tua modéstia seja conhecida por todos os homens" (Phil. 4, 5). Exerce-te primeiro na modéstia da parcimônia no comer e vestir, no dormir e vigiar, no recreio e no trabalho, não excedendo a medida em coisa alguma.

Depois, exerce-te na modéstia da disciplina, com moderação no silêncio e no falar, na tristeza e na alegria, na clemência e no rigor, conforme as circunstâncias o exigem, e a sã razão o prescreve.

Finalmente, exerce-te na modéstia da civilidade, regulando, ordenando e compondo as ações, os movimentos, os gestos, as vestes, os membros e os sentidos, conforme o requer a educação moral e o costume na ordem, para que merecidamente pertenças ao número daqueles aos quais o Apóstolo diz: "Faça-se tudo entre vós com decência e ordem" (I Cor. 14, 40).


2. - Exerce-te também na justiça para que te sejam aplicáveis as palavras do Profeta: "Reina por meio da verdade, da mansidão e da justiça" (Ps. 44, 5).

Na justiça, afirmo, integra por zelo pela honra divina, por observância da lei de Deus e por desejo da salvação do próximo.

Na justiça regulada pela obediência aos superiores, pela sociabilidade aos iguais, pela punição das faltas dos inferiores.

Na justiça perfeita, de forma que aproves toda a verdade, favoreças a bondade, resistas à maldade tanto no Espírito, como nas palavras e obras, não fazendo a ninguém o que não queres que te façam, não negando a ninguém o que dos outros desejas, para que imites com perfeição aqueles a quem foi dito: "Se a vossa justiça não for maior do que a dos escribas e fariseus, não entrareis no reino dos céus" (Matth. 5, 20).


3. - Finalmente, exerce-te na piedade, porque, como diz o Apóstolo, "a piedade é útil para tudo, porque tem a promessa da vida presente e futura" (I Tim. 4, 8).

Exerce-te na piedade do culto divino, recitando as horas canônicas atenta, devota e reverentemente, acusando e chorando as faltas quotidianas, recebendo a seu tempo o Santíssimo Sacramento e ouvindo todos os dias a Santa Missa.

Na piedade, por meio da salvação das almas, auxiliando ora por frequentes orações, ora por instrutivas palavras, ora pelo estímulo do exemplo, para que quem ouve diga: Vem! (Apoc. 22, 17). Isto, porém, cumpre fazer com tanta prudência, que a própria alma não sofra prejuízo.

Na piedade, por meio do alívio das necessidades corporais, suportando com paciência, consolando amigavelmente, ajudando com humildade, alegria e misericórdia, para desta forma: cumprires o mandamento divino enunciado pelo Apóstolo: "Carregai os fardos uns dos outros, e desta maneira cumprireis a lei de Cristo"(Gal. 6, 2).

Para praticares tudo isto, o meio melhor, eu o creio, é a lembrança do Crucificado, afim de que o teu Dileto, como um ramalhete de mirra (Cântico dos C. 1, 12), descanse sempre junto ao teu coração.

Isto te queira prestar Aquele que é bendito por todos os séculos dos séculos.

Amém.

Uma das mais notáveis obras de São Boaventura: "A Direção da Alma e a Vida Perfeita".

Baixe os PDFs em seu computador, uma dia sumirão "misteriosamente" da web.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Caravaggio – A VOCAÇÃO DE SÃO MATEUS

mateus
Ficha técnica:
Data: 1599 -1600
Técnica usada: óleo sobre tela
Dimensões: 340 cm × 322 cm
Localização: Igreja São Luís dos Franceses, Roma


Partindo Jesus dali, viu sentado na coletoria um homem chamado Mateus, e disse-lhe: Segue-me. E ele, levantando-se, o seguiu. (Mt. 9,9)

A Vocação de São Mateus, retrata o momento em que Mateus é convocado por Jesus para segui-lo. Ao receber a encomenda da tela que ornaria a capela Contarelli da igreja São Luís dos Franceses, o pintor também recebeu ordens para se basear nos versículos bíblicos. Trata-se de uma obra de grandes dimensões, em que o pintor combina um tema cristão com uma pintura de gênero (pintura que mostra uma cena da vida diária).
Caravaggio procurou seguir as instruções recebidas, mas sem abrir mão de sua visão realista. Tanto é que ambientou a cena em que Jesus faz o chamado a Mateus num local bem conhecido à época, chamado telônio (Aurélio: Agência onde se fazia o câmbio de moedas entre os judeus, no tempo de Cristo.). Mas, ao pintar o quadro, tornou o local bem parecido com uma taverna. Há fontes que dizem se tratar realmente de uma taverna romana, levando em conta a maneira como o pintor arruma as figuras.
A composição é realizada em torno de dois planos paralelos, sendo que o superior é ocupado por uma janela coberta com um oleado (muito usado antes do uso universal do vidro), e o inferior apresenta a cena propriamente dita, na qual Jesus chama Mateus para a evangelização. A posição dos pés de Jesus e de São Pedro é indicativa de que eles já se encontram em direção à saída. A composição é formada por dois grupos de personagens:
 1º grupo – encontra-se à direita. É composto por Cristo (apenas sua cabeça, a mão direita e os pés são visíveis) e São Pedro que se encontram de pé. Os dois representam a Igreja.
2º grupo – posiciona-se à esquerda. Sentados em torno de uma mesa rude encontram-se cinco elementos, incluindo Mateus, de barbas e com barrete. O grupo representa o mundo terreno.
A composição está dividida em duas partes. Os valores permanentes e corretos formam um retângulo vertical (primeiro grupo), e aqueles temporários e mundanos, reunidos em torno da mesa, formam um retângulo horizontal (segundo grupo). Existe um espaço vazio entre os dois grupos, como a diferenciar os dois mundos: o terreno e o espiritual. É a mão de Cristo que, graciosamente, faz a ligação entre eles, numa forte simbologia. 
Os cinco indivíduos, posicionados ao redor da mesa, apresentam idades variadas. Mateus parece ser a figura mais importante do grupo de amigos. Encontra-se elegantemente vestido, traje que condiz com a sua posição de arrecadador de impostos. Seus amigos também estão bem vestidos, de acordo com a época do pintor, e parecem desfrutar de uma situação privilegiada. Usam tecidos brilhantes e luxuosos, contrastando com a simplicidade das vestes de Jesus e de São Pedro, ambos descalços.
Embora Mateus seja a figura principal da composição, presente no segundo grupo, o olhar do observador é puxado para as figuras de Cristo e Pedro, pela intensidade da luz que cobre o rosto do Mestre e se alastra pelas costas de seu discípulo, emanada deles próprios. A divindade de Jesus é reforçada pelo halo sobre sua cabeça, que tem uma parte absorvida por outra fonte de luz.
O corpo do Mestre é ofuscado pelo de seu apóstolo Pedro que se encontra à sua esquerda. Apenas seu rosto e a mão que aponta para Mateus estão iluminados. O facho de luz, acima de ambos, parece uma seta a indicar o coletor e futuro discípulo.
Um facho de luz, entrando pela parte superior do lado direito, foca Mateus e seu grupo com intensidade, como se quisesse mostrar que ali está o escolhido pelo Mestre. Mateus aponta para si, surpreso com o convite, pois sua única preocupação era coletar os impostos. Dois de seus amigos voltam-se curiosos para Jesus e São Pedro, enquanto os outros dois continuam entretidos na contagem do dinheiro e nem percebem a presença de Cristo e de seu apóstolo.
A iluminação é irreal nesta composição. A luz é o elemento responsável por divinizar a cena, ao lado da auréola sobre a cabeça do Mestre. Sem ela, a composição perderia todo o seu caráter religioso. Também evidencia o gesto de Jesus, que aponta o seu dedo para Mateus. A luz que ilumina a cena não vem da janela, mas de um ponto fora do quadro.
O pintor barroco dispõe a cena do minimamente necessário, pois o que importa para ele são os personagens. O mais jovem do grupo, com o braço direito sobre Mateus, como se buscasse a sua proteção, usa um luxuoso traje e chapéu de plumas, (trata-se de Mario Minitti, amigo do pintor, já visto em outras telas). O outro personagem, que se encontra à sua frente, parece mais velho e mais intrépido. Encontra-se armado com uma espada e se apresenta meio ameaçador, virando-se  para  São Pedro e Jesus.
Curiosidades
  • Dentre os personagens, São Mateus foi sempre tido como o homem de barba que aponta para si, como se questionasse sobre ser ele ou não o indicado por Cristo. O seu gesto é traduzido como se ele perguntasse: “Quem, eu?” Uma interpretação mais atual sugere que o homem barbado, na verdade, aponta para o jovem que se encontra de cabeça baixa, imerso na contagem do dinheiro, de modo que a pergunta do homem de barba seria: “Ele?” Outros críticos de arte acham que Caravaggio, deliberadamente, deixou a composição ambígua, cabendo ao observador a escolha.
  • Levi era o nome de São Mateus, antes de ele se tornar um apóstolo de Cristo.
  • A luz é muito bem manipulada pelo pintor: a janela visível coberta com oleado, muito provavelmente para fornecer luz difusa ao estúdio do pintor; a luz superior, para iluminar o rosto de São Mateus e do grupo sentado; e a luz por trás de Cristo e de São Pedro, introduzida apenas com eles. Pode ser que esta terceira fonte de luz é pretendida como milagrosa. Caso contrário, por que São Pedro não lançou sombra sobre o jovem defensivo à sua frente?
  • Caravaggio compôs esta tela com cores vivas, usando contrastes ousados de vermelhos, dourados e verdes e texturas diferentes de veludo e pele macia. Ele também contrasta gestos e expressões.



Las Meninas - Diego Velásquez

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"La Familia de Felipe IV"  ou "Las Meninas"
Óleo sobre tela: 3,18 x 2,76 mts.
Pintura Espanhola (Século XVII)
Diego Velásquez
 

Este quadro foi pintado  por Velásquez durante sua fase chamada "La Familia", onde o artista representava cenas do cotidiano.

Na cena, a jovem Margarita, da Áustria, encontra-se cercada por sua pequena corte de damas e empregados.

Não é um quadro estático, mas uma cena em movimento,
 
onde  também estão os reis. Onde? Refletidos no espelho, fazendo pose, exigindo mais um retrato de Velásquez que, empertigado frente ao grande cavalete (à esquerda) simula copiar o casal de soberanos. É o último e mais belo de todos os seus auto-retratos.

A cena transcorre dentro de uma estância do Alcázar de Madri,
 
decorada com uma série de quadros. Os personagens se agrupam em um primeiro plano juntamente com a figura principal,
  
a infanta Margarita, que ocupa a parte central do grupo;
 
a seu lado, Isabel Velasco e Agustina Sarmiento - las "meninas" - junto a esta última os irmãos María Bárbola
  
e Nicolás Pertusato perto de um mastím que
 
descansa
 
com os olhos cerrados. 

Atrás deles, na penumbra, aparecem Marcela de Ulloa
 
e, segundo algumas fontes, Don Diego Ruiz de Azcona.
  
Na esquerda se encontra a figura de Velásquez com seus 
instrumentos de trabalho em frente de um grande cavalete que ocupa o ângulo do quadro.

No fundo da habitação, junto a uma porta aberta, encontra-se Don
 
José Nieto
  
de Velásquez, camareiro da rainha, que é o centro
 
perspectivo da obra. 

Ressalta na parede de fundo um espelho onde aparecem refletidas as
  
figuras dos reis Felipe IV e Mariana da Áustria.

Esta pintura, de 1656, ficou nas dependências do Alcázar
  
de Madri até o incêndio de 1734. Voltou ao Palácio Novo edificado sobre o solar incendiado. Veio para o  Real Museu de Pintura e Escultura (atual Museu do Prado) no começo do século XIX, com obras procedentes da coleção real.

 A pintura teve vários nomes, mas no Museu do Prado,
 
no catálogo redigido por Pedro de Madrazo, em 1834, a obra foi chamada pela primeira vez "Las Meninas"
  
- expressão de origem portuguesa com que se designava
 
as acompanhantes de crianças reais no século XVII.
 
 A harmonia e a disposição das figuras é perfeita, a luz que banha
 
a sala parece difusa, refletida, como deveria ser a luz para a 
 
execução de uma boa pintura. O clima é tranqüilo e a menina, a
 
princesa, ainda muito jovem, com cinco anos aproximadamente, está muito concentrada em algo externo ao quadro, a ponto de negligenciar o gesto
  
da dama de honra que lhe oferece algo para beber.


MÊS DAS ALMAS DO PURGATÓRIO - DIA 05


Relação com os mortos. 

Ocupemo-nos ainda hoje das relações íntimas que há entre nossa alma e as almas dos nossos mortos. «Nada mais triste, escreve Ozanam, nada mais desolador do que o vácuo aberto pela morte ao redor de nós. Eu conheci esse tormento depois da morte de minha mãe, porém durou pouco. Não tardaram a vir outros momentos em que entrei a compreender que não estava só, em que alguma coisa de suavidade infinita se passou dentro de mim: era como uma confiança de que não me haviam abandonado, era como uma vizinhança benfazeja, embora invisível; era como se uma alma estremecida, de passagem, me acariciasse com a ponte de suas asas. 

E, assim como outrora eu reconhecia os passos, a voz, a respiração de minha mãe; assim quando um bafejo aquecia ou reanimava minhas forças, — quando uma ideia nobre preponderava era meu espírito — quando um impulso generoso abalava minha vontade, logo me vinha o pensa-mento de que partia dela. 

Já se passaram dois anos, correu o tempo que dissipa todas as ilusões da imaginação perturbada, e experimento sempre a mesma coisa.

Quando pratico o bem, quando faço qualquer coisa pelos pobres, a quem minha mãe acudia tanto, quando estou em paz com Deus que ela servia bem, afigura-se-me que ela me sorri de longe.

Às vezes, ao rezar, julgo ouvir sua oração acompanhando a minha, como fazíamos juntos, à noite, aos pés do crucifixo. Finalmente, quando tenho a felicidade de comungar,quando o Salvador vem me visitar, parece-me que ela o segue a meu mísero coração, como tantas vezes seguia, levado em Viático, às casas dos indigentes».

Todo o coração amante e piedoso há de experimentar mais ou menos o que experimentava Ozanam, mas isto só acontece ao que tiver sido realmente piedoso, ao que amar sinceramente a Deus, ao que houver sido bom e dedicado enquanto viveram aqueles a quem chora! 

Só esse poderá dizer o que S. Jerônimo diz de Santa Paula: Nós a possuímos ainda conosco... Aquele que volta ao Senhor continua a fazer parte da família.

ORAÇÕES PARA CADA DIA DO MÊS

Em nome do Padre, e do Filho e do Espírito Santo. Amem.
Senhor, preparai e fortalecei nossos corações com a abundância de vossa graça, a fim de que, penetrando, em espírito de fé, caridade e compaixão, nas tristes prisões do Purgatório, possamos levar aos fiéis que nele sofrem os tesouros de su­frágios que dão alívio a seus padecimentos, glória à vossa divina Majestade, con­solação e paz a nossas almas.
V. Vinde, Senhor, em meu auxilio.
R. Deus, acudi em meu socorro.
V. Dai às almas o repouso, Senhor.
R. E da luz eterna o esplendor.
V. Descansem em paz.
R-. Amem.

ORAÇÃO: Ó Santa e Augustíssima Trindade! Ó Jesus! Ó Maria! Anjos benditos; Santos e Santas do Paraíso, alcançai-me as se­guintes graças que peço pelo Sangue de Jesus Cristo: Fazer sempre a vontade de Deus;
Viver estreitamente unido com Deus;
Pensar incessantemente em Deus;
Amar sobre todas as coisas a Deus;
Fazer tudo por Deus;
Procurar só a glória de Deus;
Fazer-me santo por amor de Deus;
Reconhecer minha miséria e o meu nada;
Conhecer cada vez mais a vontade de meu Deus.
Santa Maria, oferecei ao Eterno Padre o Sangue precioso de Jesus Cristo pela salvação de minha alma, pelas santas Almas do Purgatório, pelas necessidades da Santa Igreja, pela conversão dos pecado­res, pelo mundo inteiro. 

Salve Rainha - PELOS MORTOS
Salve, Rainha, Mãe de misericórdia, vida, doçura, esperança nossa, não só neste vala de lágrimas, porém ainda no lugar de nossa expiação, salve! A vós clamamos, Consoladora dos aflitos; a vós suspiramos, gemendo e chorando por nossos irmãos que sofrem no Purgatório. Esses vossos olhos misericordiosos volvei a eles, Advogada nossa; e mostrai-lhes Jesus, bendito fruto do vosso ventre. Isto vos rogamos encarecidamente por eles, ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria! Intercedei pelos mortos, Santa Mãe de Deus, para que entrem já no gozo das promessas de Cristo. Amem.

ORAÇÃO: Ó Jesus, abandonado de todos e até de vossos apóstolos no Jardim de Getsêmani, dignai-vos lançar os olhos de misericórdia sobre as almas do Purgatório, em particular sobre as que não recebem orações nem consolações e que, pelo decurso do tempo ou efeito de irreligiosidade e negligencia, estão esquecidas; fazei que participem das orações, santos sacrifícios, boas obras, cujo mérito não puder ser aplicado àqueles por quem a Igreja os oferta. Ah! Senhor, não terei eu abandonado, em um criminoso olvido, almas que tenham jus a meu reconhecimento, de parentes, de amigos, de benfeitores? Quero daqui em diante reparar tão grande ingratidão… Se conhecesse algum meio eficaz, por mais penoso que me fosse, empregá-lo-ia para aliviar essas pobres almas sem proteção no meio de um oceano de sofrimentos. Entretanto, eu me proponho fazer todos os sacrifícios que puder, e todo bem que fizer ofereço-vos à vossa glória pelas almas do Purgatório. em consideração de sua fé e esperança em vós, em consideração, principalmente, da agonia mortal e cruel abandono que sofrestes: dignai-vos, ó Jesus, remitir-lhes as penas que ainda têm de sofrer, a fim de que pos­sam ter livre entrada no reino eterno a que aspiram e onde celebrarão a grandeza ine­fável de um Deus que não desampara ninguém.


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Extraído do livro - Mês das Almas do Purgatório - Mons José Basílio Pereira - 10a. Edição - 1943 - Editora Mensageiro da Fé Ltda. - Salvador - Bahia